Astronauta que come estrelas sabe o cu que tem.
Descem pela nossa garganta arranhando tudo, desmatando nossa flora intestinal.
E não confunda sentimentos analgésicos com sentimentos anestésicos.
'Cores frias' tem esse nome porque te matam sem sentir remorso.
De caso pensado. .
Descaso pensado.
E eu só quero o que todo mundo quer: Ventosas numa ventania.

Juan Barreto



Mas eu admiro em certa instância e a certa distância as pessoas falsas.
De verdade!
A coragem que o falso economiza na hora de falar na cara da pessoa aquilo que ele fala depois por trás, é canalizado e compensado em triplo na hora que ele vai cumprimentar cheio de sorrisos e abraços essa mesma pessoa quando a vê nos lugares.

Vamos admitir que o falso vive no esqueminha de espião infiltrado.
 Dedica boa parte de sua vida a perambular pelo campo da corda bamba e da incerteza, uma vez que ele nunca sabe ao certo se a(s) sua(s) vítima(s) conhece(m) ou não o seu 'trabalho', sua obra, então ao pagar de 'simpático amigão' ele arrisca de peito aberto entre outras coisas a tomar um belo murro na boca!
O falso prostitui diariamente o conceito de 'audácia'.
Outro tipo a ser analisado é a tal da 'pessoa que tem uma 'personalidade forte'.
Isso é apenas um personagem birrento que as criaturas criam pra obter licença de serem estúpidas com quem quiserem quando der vontade. 
Mas não passam de crianças mimadas carregando um alvará que as autoriza a ser insuportável e incomodar os outros e que não é válido em território nacional. Só é aceito nas suas respectivas realidades paralelas, cujas quais, elas por acaso são presidentes do próprio umbigo.




Juan Barreto

Vida sabor ‘churros’.
Granulada no açúcar, grelhada no óleo quente, no olho quente de olhar ruivo.
Sentimentos onívoros desconhecem cadeia alimentar e prisão de ventre.
Fogo controlado é tão bonito que a guarda baixa e o santo baixa.
Quando a ampulheta seca de um lado significa que a paciência encheu do outro, mas ai o mundo dá voltas, gira a realidade e a corrida continua.
Esvaziando a cabeça tappaware, tirando areia do juízo.
Pintando nossos cabelos de outro tom. Estão usando bastante o #G ultimamente.
De férias
com fé, rias!
A volta ao mundo em oitenta graus.
Centígrados.
Senti! Grato!

Juan Barreto


Foto: Juan Barreto

Mamífero man

Esse meu coração “orange” ora range de “rage”
ora rege “rouge” e reage
“Rojo!”
Todo “rojo” de rojão!
A demanda do ‘te manda!’ não para de crescer porque a procura também não.
Sou pró-pós, tá?
A rosa gorda vai para o abate, sai do matadouro em forma de buquê sangrando por todos os pólens.
Já a rosa rasa, a rosa cor-de-rosa só roça no sonho, afinal, sonhar está no contrato e imaginar também é se fazer presente, só que do jeito invisível.
Contentamento com tentação.
Quando te vejo abre um paraquedas dentro de mim.
Passeio pelo mundo sentado no topo da cabeça de um elefante.
(em) presto atenção e não me devolvem.

Juan Barreto



Ele saiu na rua recém-molhada de chuva trajando bermuda e chinela.
Andava rápido, pois ainda neblinava. O seu movimento natural de caminhar arremessava perdigotos de lama e aguinha empoçada nojenta nas suas canelas desprotegidas fazendo os pelos grudarem.
'Grande ideia!', pensou irritado.
Mas não se pode dizer que foi propriamente uma ideia, porque não houve programação. Foi impulso.
Vinte minutos antes estava deitado e muito bem deitado se preparando pra dormir no seu ninho de poliéster e algodão. 
O quarto estava frio, mas o ventilador ligado virado pra parede era indispensável. O barulhinho do seu mini motor somado ao tamborilar metálico ritmado das gotas grossas de chuva no teto de zinco da garagem do vizinho era anestésico. Hipnótico! Até que o celular do nada começou a cuspir uma melodia.
Levou alguns segundos ponderando se valia a pena se levantar já que tinha encontrado a posição perfeita na cama. Quando finalmente decidiu se desvencilhar do seu casulo de panos, quem quer que estivesse tentando contatá-lo desistiu. Ficou puto, socou o travesseiro, mas quando passou as vistas no visor do celular e viu aquele nome digitado em caixa alta, seu coração ficou em caixa alta também.
Não tinha crédito pra retornar e só lhe restou esperar que lhe ligassem de novo.
Passados vinte minutos e nada. Resolveu agir! A curiosidade matou o gato, mas foi a ansiedade quem salgou o feijão e quando menos percebeu já estava de casaco esperando o elevador chacoalhando as chaves de casa no ritmo da abertura de 'Os simpsons'. Ia até a loja de conveniências do posto de gasolina da esquina colocar crédito no celular. Precisava ouvir a voz daquele nome.
A chuva voltava a chicotear insistentemente com força os prédios da zona nobre de uma cidade vil naquele prepúcio de madrugada. Num apartamento do sexto andar todos hibernavam menos uma moça que jazia deitada no escuro olhando pra cima sem conseguir dormir.
Um “Let it be” começa baixinho, tímido, abafado e rapidamente vai crescendo, encorpando até ecoar pelo quarto assustando-a. Ela estica o braço e apanha o aparelho, tenta ver quem está ligando, mas a luz azul fortíssima do visor agride e cega seus olhos desacostumados.  Não acha que pode ser ele, tem quase quarenta minutos que ela ligou e ele nem sinal. Resolve atender assim mesmo antes que Paul McCartney acorde a casa toda.


-Oi, alô? Quem é?


Do outro lado ele com o coração aos coices, infantilmente ajeita os cabelos com os dedos como se ela pudesse vê-lo. Respira fundo e fala:


‘-Camille?’


Aquela voz sabia dizer o seu nome como ninguém. Chega a fez sorrir no escuro e ela num esforço enorme pra não parecer ‘felizinha’ demais, que era como ela estava se sentindo respondeu:


‘-Oi! Desculpa te ligar, ainda mais uma hora dessas. É que acabei de sonhar com você. Um sonho ruim e queria saber se está tudo bem. ’


‘-Você? Dormindo antes das três da manhã? Nem vem que eu sei da sua insônia!’


Ele andando em círculos pelo quarto tentando disfarçar a euforia. Fazia alguns dias que não se falavam e começo de namoro é assim mesmo, cada dia é um ano bissexto.


‘-Veja você! Essa chuvinha, esse frio é um gás sonífero!’ Disse ela.


 ‘-Sei bem como é! Pois diz ai como é que foi esse sonho. ’


Ele falou isso e na sequencia bateu a paranoia se não teria falado com um tom de desdém não intencional. Começo de namoro também é cheio dessas dúvidas e curvas dramáticas.


‘-Estávamos no seu quarto e você estava sentado na janela. Eu ia colocar uma rosa no seu cabelo, mas o 
vento a arrancou da minha mão, quando você se inclinou para tentar pegá-la, se desequilibrou e caiu. ’


‘-Hum.’


(Silêncio)


Ele agora tinha certeza que tinha soado com descaso, mas não foi proposital. Escapou!


‘-Pois é! Mas tá tudo bem mesmo né?’ – Ela perguntou já com outro tom de voz, confirmando o seu receio.


‘-Tá sim. Relaxe!’


‘-Certo. Então vou indo. Boa noite pra ti. Beijo!’


‘-Boa. Beijo’


Desligam.


Ele está se sentindo mais imbecil do que nunca em toda a sua existência. Eufórico e imbecil.
Queria mexer nas suas configurações e desabilitar o item “Hum”. Quantas brigas ele já não presenciara, tivera, escutara, soubera todas começadas por causa de um ‘Hum!'?  Ficou remoendo e não conseguiu pensar em nada melhor que pudesse ter dito! Poderia ter sido pior, poderia ter mandado um 'Pode crer!'
Foi para o computador ver se se distraia pelo menos o suficiente para o seu sangue voltar a circular pelo resto do corpo, porque parece que ele estava todo concentrado na sua cara durante os últimos cinco minutos. 
A cabeça estava até meio pesada! Maldito nervosismo! A voz dela ainda estava grudada nas paredes do quarto, nas paredes dos seus tímpanos. Tão doce tão querida ligando preocupada com ele por causa de um sonho. O carinho está nos detalhes, está em quem lembra dos detalhes. E ele com seu ‘HUM!’,
Quem com ‘hum’ fere, com ‘hum-hum’ será ferido!
Ah, o remorso das pequenas coisas... São como cortes de papel. Não são feitos pra te matar, e sim pra te torturar ao longo do dia.
A chuva engrossou o pescoço esmurrando as vidraças do seu quarto enfurecida. Começaram os trovões escandalosos que ele tanto odeia. Ironicamente após um particularmente alto e ameaçador ele teve um estalo que o fez pegar o celular e apertar a tecla redial. No terceiro toque atenderam e antes que ela pudesse terminar de dizer ‘alô’ ele falou empolgado:


‘-Desvendei o significado do seu sonho! Não era um mau presságio, queria dizer apenas que eu estou... 
Caidinho por você!’


Ela gargalha do outro lado da linha. Ele respira aliviado. Açúcar para adoçar! O resto é ‘Belle & Sebastian’ tocando alto nas caixinhas de som. Tão bom não ter vizinhos nessas horas de felicidade inesperada.


Juan Barreto



'Queria', 'Podia', 'Faria', 'Deveria'...
'ia',' ia', 'ia' e tanto ia que não foi.
É tanto 'ia' que ficou pra outro dia.
Palavras 'boneca-russa', palavras 'boneco voo-do'.
Palavra cuspida, escupida, és 'cupida', és culpada, és 'túpida', és tapada.
A palavra é o meu moleque-de-recados, minhas luvas de amianto, meu time do coração.
Meu tímido coração.
Saudade é a minhoca que vive na maçã dos olhos.
'Não se mexe!'
Rancor é semente que vem junto na merda do passarinho que mirou na nossa cabeça como 'agradecimento' por o termos soltado da gaiola, e que quando atinge o solo do sentimento de terra roxa...
Cresce e não dá nada que preste.
O mal independe que chova.
Muito perfume atrai muita abelha, muito suor atrai muita mosca.
E eu não tô aqui pra discutir se rosa é vermelho claro ou é apenas queloide formada na ferida aberta na terra
Só sei que minha pipa tá 'no ar', mas  meu microfone tá desligado.


Juan Barreto

O Brasil sempre foi dado a importar modismos e quando surgiu lá fora o conceito de 'H mudo' não foi diferente.
Como sempre, até hoje a gente peca pelo excesso e não contente em enfiá-lo antes do 'P' pra dar som de 'F' (o que é uma idiotice, uma vez que já temos o 'F') passamos a enfiá-lo também antes dos 'P's que não tinham som de 'F' apenas porque sim!
'Porque sim' que pra quem não sabe é a verdadeira identidade secreta do 'jeitinho Brasileiro'.
Como é o caso de 'PODER' que na verdade escreve-se 'PHODER' com 'H' mudo e envolto num tecido mágico que só os inteligentes conseguem ver, mas que preservou o espírito da coisa.

              ***

Parece que tudo que é à laser é definitivo.
Quero lazer à laser.
Mãe à laser.
Sorte à laser. A lot!
E principalmente que as pessoas parem de confundir gratidão com 'puxa saquismo' e respeito com 'rabo preso'.
E a defesa de quem não entende é sempre dizer que quem não está entendendo é o outro.
Quem está nervoso sempre pede calma.
Se dê valor e ai sim, podemos discutir sobre valores.
Se dar valor não é se dá um preço.
Enxergo os términos com o olho do cu, por isso que ando cagando tanto pra tanta coisa.
Te acho muito velha pra ainda ser tão idiota, assim como és muito jovem pra já ser tão babaca.
Meio termo de merda.
E o sufixo 'de merda' denota sim, sem dúvida doença.
Se suicidou pulando do sexto andar do próprio ego e só não subiu mais porque o elevador estava quebrado.  

             ***

Difícil se adaptar.
Quando tá tudo bem, ser 'Maria vai com as outras' significa união, sintonia, núcleo.
Quando tá mais ou menos mal, ser 'Maria vai com as outras' é falta de personalidade e ainda te chamam de viado por você se considerar 'Maria'.
Quem quer o que todo mundo quer = sofre
Quem não gosta do que todo mundo gosta = sofre 
a.c = Antes do começo
d.c = Depois da crise
           
               ***

Pistolinha d´água se passando por arma de fogo.
Bala de ar comprimido.
Terra por cima (7x).
Os elementos nas mãos dos maus elementos.
Elementar...
           
            ***

Adultos continuam sendo apenas crianças que se soltaram das mãos dos pais no shopping e saíram correndo desembestados lá na frente.

            ***

Juan Barreto


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Miosótis

[Cada vez que alguém diz que dessa vez vai ser diferente cai um dentinho de leite de um diabinho no inferno e a cada vez que outro alguém acredita nessa conversa fiada, nasce um permanente.]
                           
                               ***

[-OUT/ruísmo IN/tencional vale menos? Out/era o produto?
-Fica parecendo forçado. Se bem que pros outros nunca parece que é o que não aparece.
-Será IN/veja?
-OUT/é parece! Deve ser alguma outra coisa IN/voluntária.
A gente vive na era do '‘Ah, 'Mim’ deixa fazer o que ‘eu’ quiser!”
-Perene até que perece.
-É né!(rgia)]

                       
                             ***

[Ernesto não sentiu dor, mas sentiu a camisa molhada..
Estava com medo de pegar na barriga.
Pensou ‘É sangue! ’. Era sangue.
Começou a sentir uma dormência nas maçãs do rosto.
Vontade de chorar, mas não conseguia. Melhor, já estava perdendo líquido até demais.
Vinha andando na rua e estouraram seu apêndice de longe.
O projétil acabou com o projeto 'Ernesto' e não adianta CALAfrios nesses abSURDOS.
Involuntariamente seu último pensamento não foi no pai, nem no filho, muito menos no espírito santo. Não teve filminho passando, estava mais pra um simples ‘post-it’  que dizia apenas: ‘Ao menos chega dessa história de pagar aluguel!’.
Ajeitou os cabelos com os dedos e dormiu de roupa, sapato e tudo.]

                                   ***

[-Sinto sua 'f(l)auta'! 
 -Sei de saudades também, tamborim, tão bem!
(O coletivo de simpatias é: ‘amor’)
-Me (ch)ama se precisar de alguma coisa! Agora tenho que ir.
-Miosótis!
-Miosótis!]

                                  ***

[Eu sou uma criança 'adulterada' com estoques de ex-T.O.C’s.]

                                  ***

[Juan Barreto] 




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Já, já fui ‘o outro’ dos outros e não quero mais isso pra minha vida.
Isso é ser menos que nada. 
É aceitar o nada sem perspectiva nenhuma.
É entrar numa guerra não pela vitória, mas só pra pegar em armas fodas!
Ó!(B)Viu?
Lactovacílos vivos.
Não é questão de se permitir e sim de se permutar.
Fool ano de 2010.
Full ano de 2011!
Entra (ful) ano e sai (ful) ano e tudo meio que na mesma. 
Meio que no meio.
Fulano que fala quatro idiomas fluentemente, mas não diz nada interessante em nenhum deles.
Tem gente que de tão zen vira ‘nem’
Ai eu também viro nem.
Me viro sem e me viro bem.
Os grandes desafios da sua existência consistem em não se tornar invejoso com aquilo que não é seu, não se tornar mesquinho com aquilo que é seu e saber que efemeridade dá e passa.
‘-Você vai querer o seu presente com ou sem batom? (risadas)’
F(eb)RE (ob)SCURA!
Anos pares tendem a ser caóticos, assim como todo par. 
Muita briga, muita discussão.
Pinimbas a parte, que venha o touro!




Juan Barreto


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O sabor da vitória dura o tempo exato de um flash de fotografia
O da derrota dura os anos que uma fotografia durar.
O sucessor do ‘cesso’ é o sucesso que só cega o ego, sossega o ego, o faixo e a faixa 04 daquele cd.
Quanto mais do mínimo você tiver, menos do máximo você terá.
Permaneço no ‘mereço!’ pois quem tem apreço não vê preço
‘Aprés, sûr!’
Começou a sentir uma moleza e antes que caísse duro caiu em si e percebeu que não estava percebendo, apenas reparando no que não sabia e confortável no ‘não quero saber’.
O que não servia pra nada, nem pra ser nada.
Tomou uma decisão: ‘Go! Ela abaixo!’ goela à dentro.
Troca-se o mimo por um mimo
Queria que existisse uma maneira de mandar sentimentos por blue tooth.

Juan Barreto


Passamos boa parte da nossa vida fazendo as mesmas coisas, só que com pessoas diferentes, roupas diferentes, em  dias diferentes, com olhares diferentes.
E boa parte dessa ‘boa parte’ tentando atrair pessoas novas que se encaixem e se acomodem nas nossas coisas antigas, nossas roupas antigas, nossos traumas antigos.
Dai os apresentamos as nossas músicas antigas, nossas fotos antigas, nossos amigos antigos contando nossas histórias antigas, até que o outro se sinta antigo também, se sinta em casa, de casa, para que num belo dia numa discussão boba ele escute um 'Eu quero é novidade!' assim na cara, dito com uma convicção que a gente nunca sabe mesmo se foi de verdade ou se disse só pra provocar, o que não deixa de ser verdade, mas é uma daquelas verdades ‘brincs’, aquelas verdades embrulhadas em papel de presente e com cobertura de chocolate! O que não deixa de doer.
E ai o antigo se sente velho. Se sente caquético, quebradiço, tolo, ridículo. Inconveniente, desnecessário e substituível.
A resposta ríspida que a pessoa que nós gostamos nos dá é uma  pedra pomes na garganta.
Raspadas de lixa na cara. Bochechas vermelhas. Em carne viva.
De qualquer forma nos faz pensar a respeito e nos faz pensar em respeito.
Silêncio não é o mesmo que paz.
Fazer as pazes não é o mesmo que paz.
Transformamos uma ofensa em crítica construtiva a cada vinte minutos, pedindo desculpas pra nós mesmos por coisas que os outros nos fizeram e fazemos isso em nome do equilíbrio. Da harmonia. Da ‘paz’.
Futuremos...
Todas as minhas previsões de futuro, as pretensões de presente e os pretéritos mais-que-passados, tudo muito genérico, tudo até bom, mas bom não é ótimo.
‘Ótimo’ seria maravilhoso!



Juan Barreto

Foto: Juan Barreto












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‎-Gosto desse som!
-Você conhece Cássia Éller?
-Outro dia colocaram esse som, eu ouvi, gostei..gostei muito.
Falou o gringo segurando o cd do acústico MTV. Aquele...
 'O ACÚSTICO!'
-É uma cantora muito boa mesmo, pena que morreu exatamente quando estava ficando famosa.
 -Verdade?
-Sim, overdose. Já tem uns dez anos, isso! Foda, né?
-Não... É verdade.. isso ser uma mulher? - Apertava os dedos na caixinha do cd e balançava o álbum nas mãos.
-Hahahaha é cara! 'Cássia' é nome de mulher!
-Eu ter um amigo em italia chamado Andrea.
-Hum... Pode crer.


Juan Barreto


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Uma pupila sempre sabe o que quer e sempre sabe quando achou.
As lembranças são como os cães. Aparentemente estão em sono profundo, mas ao menor 'clic' ou 'crec' acordam e acordam com tudo. Quem não for familiar tem mais chance de ser atacado.

Estragaram o extravagante.
Politica/ mente /falando.
Diz: 'penso' : Dispenso!
Pró-penso = A favor do torto.
Dez pistas pra despistar.

Pastel / Paz tua
Coca - Cólica
Café em pó, leite em pó, farelo de pão com queijo ralado.
Esqueci o Whisky e o isqueiro.
De jejum de jeito nenhum.
'Breakfast = quebre rápido' / 'Drive thru = Passe por cima'
 É esse o padrão do Pedrão.
Coloca a cólera na coleira pra passear
Past tense =  Passado tenso.

Juan B.

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Estava eu no ônibus hoje quando numa dessas paradas bem movimentadas sobe um cara sem um braço.
Um cara sem um braço,claro, chama logo a sua atenção.
Numa curva fechada, dessas que te obrigam a fazer manobras estilo kit-surf pra se equilibrar, o 'cara-de-um-braço-só' agarrou no ferrinho com a mão direita e apoiou as costas nas costas da cadeira à minha frente ficando quase de lado pra mim.
Cantarolou baixinho 'Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus...' ai me deu uma olhada sem vergonha e falou um pouco mais alto: 'Se eu segurar na mão de Deus eu caio!'
Não tive como não rir
Ele também não.

JuanbarretO

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Esses falsos acidentes intencionais, essas casualidades causadas...
Beijo no canto da boca, cotovelo encostado no mesmo braço da poltrona do cinema por horas, por filmes, por dias se fosse preciso, se fosse possível!
O um centímetro de pele mais orgulhoso de todo o corpo.
Quem vê 'oops' não vê coração
E só não 'veux' quem não quer!
Quero ser o ganha-pão desse teu ego.
Perceba e receba.

Juan Barreto

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Isso de ter que ir quando chamam e ter que ficar quando mandam (ou quando esquecem de chamar) só vai até  a gente aprender a ter autonomia de fazer as  calçadas deslizarem pelos pés na hora que der vontade de dar vontade.
As pegadas das mãos, as digitais das polegadas, manual 'dedático'
As pequenices anãs do homem-pouquinho que é baixo, que gosta de diminuir os outros...
O vigor da vigarice
Rubor, mas... 'rumbora'!
A pequeneza pega
Ser pequeno não é ser simples, nem é ser humilde e o contrário também acontece.
O presidente desconversa, mas o vice-versa
Esse pessoal que aprende a ler por pura formalidade me contrai e me contraria


juan

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Rolha de cortiça boiando vagarosa no riozinho gosto cor-de-vinho como se fosse uma espécie de Vitória-Régia sintética. 
Cortinas de estopa estampadas são a ordem judicial mantendo o sol longe de mim.
Essa fome me comendo em todas as posições do livro de receitas.
Me engravidando ao contrário.


Juan Barreto




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De repente aquela porta que não quer abrir e não abre de jeito nenhum, nem puxando nem empurrando deve ser porque o monstro que está por trás dela fazendo contra-peso agarrado à maçaneta tem muita força.
Pense nisso e deixe pra lá aquilo que insiste em ficar do lado de lá.
As vezes anjos da guarda tem que fazer conosco que nem os adultos fazem com as crianças, pendurando na prateleira mais alta da estante, escondendo  da cobiça das nossas mãos aqueles objetos coloridos e bonitos que tanto nos despertam o interesse dos olhos, mas que iriam terminar nos machucando de alguma forma, por serem pontiagudos, cortantes, venenosos ou apenas pequenos demais, fáceis de engolir.
E a gente chora por não entender
As coisas importantes a gente quase nunca entende ao vivo, mesmo.
Por isso, para o nosso próprio bem, tem horas que perder é ganhar (tempo)
Tem horas que perder é ganhar (acúmulo) (ao cúmulo)
Ao cubo!
Eventualmente conseguimos arrastar uma cadeira pra pertinho da estante quando não tem ninguém olhando.
"Mais" já é por si só, uma palavra viciada.
As horas é que deixam tudo para o último 'eu'.
Eu tinha mesmo que ter sido dessa gal(era) de aquário que tem essa necessidade de espaço pra poder reclamar da solidão, tanto que acabou empurrando os peixinhos pra frente,expulsando-os para outro signo, dando início aos pisci-ânus, esses derivados problemáticos.

juan barreto

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Ki.Az.


Quando senti a mini vibradinha do celular avisando que tinha chegado cartinha, cartinha essa, que dizia: [Cheguei na praça, cadê você?] imediatamente dei cinco voltas olímpicas internas.
[Estou perto da mesa de som que fica em frente a um palco montado!] - Respondi.
Enquanto esperava, pra disfarçar a recém-ansiedade diet que estava sentindo, reparei em coisas bobas como umas árvores enruivando num canto, por exemplo, e que a tarde estava ventosa, porém, quente.
(Voltas olímpicas internas agora dando moonwalker)
A vi chegando uns cinco segundos antes dela me perceber. Foi exatamente o tempo de eu pensar: "Own, a mesma carinha de menina!".
(Ansiedade efervescente)
Sabe quando você fica muito tempo sem ver alguém que você gosta e parece que seu corpo tá com sede do corpo da outra pessoa? Você quer ficar tocando nela, esbarrando "acidentalmente" o cotovelo nela como que pra absorver mesmo calor ou o que quer que seja numa tentativa infantil de guardar mais um pouquinho dela com a gente, na gente, que nem quando queremos levar areia da praia e conchas pra casa nos bolsos dos shorts, em potes.
Memória tátil esguichando dopamina.
Menina do abraço morno bom.
Nada de abstrato, por favor! Dê um tempo, dê o fora.
Se eu não fizesse tanta questão de ser eu mesmo naquele momento, naquela situação, aceitaria de boa em ser apenas uma pessoa qualquer sentada num banco por perto. Voyeurismo quietinho, só pra poder contemplar a intensidade sutil e luminosa daquele micro instante de cena, daquele momento rápido como uma carimbada do tempo em nossa história que foi esse nosso reencontro após dois anos.
Mas eu fazia toda a questão do mundo de ser eu mesmo naquele fim de tarde.
Enquanto conversávamos sentados numas pedras em frente ao mar justamente sobre a beleza e a importância dessa pangeia em nossas vidas, minha sensação ora era como nos filmes, quando colocam os mesmos atores pra interpretar seus personagens alguns anos mais velhos e ai eles ressurgem de cabelo mudado e roupas atuais, ora tinha uma atmosfera etérea de quando a gente está num sonho sabendo que está num sonho e o clima ganha um ar  melancólico porque a conversa tá boa, mas a gente sabe que vai já acordar e sentir raiva por uns dois dias seguidos por aquele rosto não estar mais ao alcance das nossas mãos carnívoras..
Lembra Clementine dizendo.."É isso Joel, logo,logo estará acabado!" em uma outra situação que também envolvia uma coisa que era ora  filme, ora sonho.
No carro redescobri a mesma risada alta, os mesmos devaneios charmosos também em voz alta, os mesmos interesses em comum, as mesmas bandas incomuns.
Ainda morava no mesmo lugar  e só bem recentemente é que tinha se livrado daquela mesma pessoa com quem mantinha um relacionamento caótico e cáustico de dois anos antes.
Olhe... Apesar de tudo isso... Dizer que ela ainda era a mesma, seria um insulto. Um absurdo!
Quando me flagrou olhando compenetrado para o seu jardinzinho zen (novidade pra mim, porque antes era apenas um retângulo vazio!) me perguntou com sorriso ansioso: "Mudou pra melhor hein?" e eu respondi entusiasmado olhando pra ela: "Sim, sim! Pra melhor!”, mas eu não me referia somente ao jardim.
Estava nitidamente mais adulta, mais independente, mais segura e parecia muito confortável e natural em meio a tudo isso e eu achei que combinava com ela isso tudo.
E me senti orgulhoso dela.
E me senti feliz por ela.
E me senti feliz
(Drama 'in bass)
(E o protagonista de repente se deu conta do que deveria fazer.)
O reencontro foi intinerando pelos dejá vus já esperados espalhados alegoricamente pela cidade me trazendo lembranças inesperadas.
"Ah, eu já terminei um namoro ali!" E apontei pra uma escadaria enorme de colunas grossas.
E rimos porque de fato, deu vontade de rir!
Vida doida!
Passamos pela minha antiga casa ouvindo Beirut e me deu pena. Sim. Pena de uma construção!
Aquela casa sempre foi boa demais pra aquela rua de energias tão negativas.
Merecia ser transportada pra um outro lugar melhor, assim como eu fiz comigo mesmo, anos antes..
Era começo de noite e havíamos chegado a um milharal de corredores infinitos e vertiginosos no quarto andar de um prédio desses ai.
Corredores de chão verde, paredes descascando e um emaranhado de luzes amarelas irregulares e portinhas com seus numerosinhos que nos conduziram até o requinte do kitnet de um amigo da minha amiga.
Um apartamento muito simpático de decoração original e aconchegante que faria Jean-Pierre Jeunet ficar eufórico.
Temperamos uma hora inteira com cachaça com mel e limão, vinho e ‘marlboros hippies’ esparramados pelo sofá.
Beijo sem língua, sem-pé-nem-cabeça, sem propósito (o pior tipo!), sem estar no cardápio, sem querer(?) Cê querer(!)
Se queria...Por que não... ?
Se não queria... Por que...?
Meu coração fazia 'tum-tum-tum', minha cabeça fazia 'Cri-cri-cri' em dolby surround.
Com a querida experiência adquirida lembrei que 'falou tá falido' e preferi concluir em silêncio que nem tudo é pra ser entendido como entendível.
Cada um tem seu personal moinho-de-vento.
Na mala trouxe roupas sujas e ideias novas
Roupas novas e ideias sujas.
E os sentimentos passados e pendurados em cabides com cheirinho de coisa limpa.
Saudades desde o 'oi'.
Saudades desses olhos de meia lua da menina que sempre riu das minhas besteiras e que gostava de caminhar rápido porque era a maneira dela de desacelerar por dentro.
Saudades de quando ela ficava vendo desenho animado comigo até tarde da noite, até ficar esquisito pra voltar pra casa, e dai lá íamos os dois pra esquina escura escrota chapados rindo um da cara do outro esperar teu ônibus.
Temos que diminuir as (pr)estações desse hiato.
É importante colocar os pingos nos 'i's pra que não se confundam com os 'l's.
As coisas, as pessoas estão lá, nos seus arbustos de acrílico cercados de espinhos
Nos seus jardins cercados de muros com pontas de cacos de vidro.
Com suas cercas elétricas, suas cercas acústicas e suas cercas 'Ao vivo MTV".
Seus dobermans patrulhando tudo, até espantalho armado eu vi!
E mesmo sabendo de tudo isso nós vamos lá sim, mendigar ao menos um 'tchauzinho' da varanda e acredita que as vezes nem isso acontece?
Dai apertamos a campainha e saímos correndo.
'Quase' não é vergonha, vergonha é 'nem'.
Não existe bem uma maneira certa.
Não existe uma maneira certa do bem.
O bem é muito mimético.
O mal é muito distinto: Se doer mais de um dia é do mal, não quero! Fora daqui!
O mal é muito difícil de combater..vamos descontar nossa frustração nos neutros e tudo certo!
Coração falou pra mim: "Mas tu já gosta de descer uma ladeira de chinela, heim!?"
Apesar de já conhecer essas ladeiras, afinal, minha vida tá que é Olinda, mas contra  curva não há argumentos.
Tempo fechado, sinal fechado. Cara fechada, corpo fechado.
Quebrando o gelo, quebrando o silêncio, quebrando meus próprios tabus.
"A fumaça é o suor do cigarro. É a alma do negócio!"
A energia cinética das milhões e milhões de punhetas simultâneas que são batidas por segundo nesse país gerariam energia suficiente para abastecer uma cidade do tamanho da grande São Paulo por até dezoito dias sem precisar de outra fonte.
Canalize...
Descanalhize-se!


juan

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O homem precisa do fogo pra se manter vivo, o fogo precisa do ar pra se manter aceso e o ar só precisa de espaço pra existir, apesar de não existir no espaço.
A vida sem "air guitar" seria muito vazia.

Acordei numa quinta feira dessas e fiquei deitado de consciência pra cima me lembrando do tempo em que eu passava minhas férias do colégio pulando no colchão de molas da cama da minha avó assistindo 'capitão planeta' na tv preto e branco. Xuxa noir. 
Vovó fazia pastel na cozinha usando uma garrafa seca de cerveja como rolo. Ela sabia que eu adorava e ficava me mandando retalhos, pequenas sobras de massa crua por minha prima mais velha enquanto eu gritava do quarto provocativo: "MASSA, SERVIÇAL! TRAGA-ME MASSA! TENHO FOME!" quando não gritava apenas "TABERNEIRA! TABERNEIRA!"A prima as vezes levava a massa e levava na brincadeira, outras vezes ficava puta e apenas atirava gentilmente os pedaços frios na minha cara, fazendo soar o alarme: "Ô VÓÓÓ!..."
'Chamando todos os carros!' 'Chamando todos os carros!'
(...)
(olhar 'cloro de piscina')
(...)
No dia que inventarem um cartão de memória pra nossa memória, ai sim, falem comigo sobre tecnologia.




foto:juan barreto
juan barreto.

cosmopolita

Aquela música me pegou pelos cabelos como os homens das cavernas faziam com suas mulheres e me arrastou por dias, por anos atrás.
A vida dá muitos sinais. Tilintares marcam o compasso.
Sou seu ao passo que acho sua pessoa.
Acho que a gente pode tudo, pode ser tudo, só não pode ser podre, porque é isso que nos difere dos mortos, é isso que nos difere do lixo,da merda. Entende?
O ser humano é 70 - 75% composto de água e nem assim ele consegue ser transparente.
Eu faço parte desse inferno que reclamo.
Vai fumar pedra, papel ou tesoura?
Vai cheirar e vai chorar! Quer apostar?
Apostar não. É ilegal!
Dedos são os chifres das mãos!
Só importa aquilo que de alguma forma dá forma e te entorta por dentro, mas antes de se apaixonar verifique se o mesmo encontra-se nesse andar.
PARtir é ímpar.
Sempre que eu penso em possibilidades aparece alguma coisa que parecia impossível.
A verdade é que a vida é um eterno 'colar colou'
Não ganha o mais forte, ganha quem chegar primeiro.
Minhas impressões sobre as coisas deixo onde puder
Minhas impressões digitais eu deixo em quem deixar
principalmente nas pessoas 'nhac'.
Tsc,tsc,tsc e outras onomatopéias.
Patrocine um raciocínio.
Tira sarro porque o outro usa boneca inflável, e você que namora à distância?
Quem está mais longe da realidade desejada?
Essas frustrações brandas..Por isso os bares.
E mais... Por isso as bebidas.
“-Garçom!
-Pra beber, alguma coisa, Sr.?
-Um 'sorry'sal efervescente."


Juan Barreto
Felicidade é uma palavra com gosto de hortelã, mas que cheira à jasmim
Escorrega pelo cano da garganta adormecendo os músculos e formigando o nariz
Acordaste meu lado consumista de afeto
E agora estou a esmurrar o balcão da loja aflito, gritando:
"Eu quero isso! Eu quero isso! Eu quero isso!"
Ele pisa forte, fala grosso, respira fundo e pensa alto
Ele é todo exacerbado
E ela?
Uma graça!
Ela sorri pra passar o tempo.
E ele passa!
Mas não ileso.
Não à tempo
Gostoso é viajar com a cabeça pra fora da janela do carro, mas até isso está perigoso
Eu acho que minha esponja cerebral não absorve mais nada com muito caroço
E nem absolve mais ninguém nessa excursão, seja qual for o vagão.
"Eu também não! Eu também não! Eu também não!"


Juan Barreto...

Envelhecer é meramente perceber onde errou ontem e não poder fazer nada a respeito, simplesmente porque o ontem é o rabo que você, cachorro, vai rodar, rodar, remoer, remoer e não vai conseguir pegar nunca!
Somos escravos até mesmo dos erros atuais, pois só vamos perceber que são erros amanhã, quando formos mais velhos ainda.
Quando acordarmos no hospital enfaixados, sem saber o que aconteceu, tentando entender, recuperando a memória aos pouquinhos.
Desculpas, são como corretivo líquido. As vezes dá jeito, mas se o papel (relacionamento) não for extremamente claro, o remendo fica de uma forma que não tem como não reparar e não tem mais como reparar.
Escolha quais ditos populares mais lhe convém, quais os que melhor justificam e abrandam seus absurdos, coloque-os na prateleira da 'filosofia' e os venda como tal.
'E quem não te conhece que te compre."

Juan Barreto















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Os pais se preocupam se os filhos ficarão bem em casa sozinhos enquanto eles tem que sair pro mundo.
As crianças choram em seus quartos por um tempo, mas logo tudo fica bem.
As crianças crescem e se preocupam se os pais ficarão bem em casa sozinhos enquanto eles tem que sair pro mundo.
Os pais choram, em seus quartos por um tempo, mas logo tudo fica bem.
Somente o mesmo tipo de sentimento gera o mesmo tipo de preocupação.
Mesmo eu sendo muito 'Trebuchet' para esse mundo tão 'Times New Roman', ainda assim, queria plastificar alguns momentos, esconder algumas pessoas embaixo das unhas pra que nenhum baculejo da vida as ache e as leve.
Se bem que morrer não há de ser nada, comparado a não deixar saudades.
"Amor" é uma palavra assim, aberta, pra ficar mais fácil da gente gritar.

Juan B....

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Estava fumando sentado na pia da lavanderia, lá nos fundos.
Fazia um começo de tarde maravilhoso de céu prateado, temperatura ambiente: geladeira aberta, 'Talking Heads' pressionando a janela/escotilha do quarto até entreabri-la vazando música para o resto da casa, chá de baunilha esquentando os dentes...
Não resistiu, começou a dançar!
Com direito a aquele requinte caprichado que a gente usa quando está dançando sozinho.
Em um certo momento fez um movimento mais brusco e o passarinho azul na gaiola num canto ao lado se assustou e entrou na casinha com estardalhaço batendo asas, espalhando alpiste e o assustando de volta.
"Animal idiota" - Pensou ele aborrecido indo até a cozinha pôr na louça a caneca de louça.
"Animal idiota!" - Pensou o pássaro taquicardíaco respingando água em si mesmo com o bico, lavando a cara.

Juan Barreto











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-Na França os acentos abertos, na verdade são fechados e os fechados são abertos!
-Em todo lugar é assim. Os santinhos são os piores.
-'Faché' de fachada.
-E os postes que sempre sabem por onde você andou, quem estava com você...Será que eles fofocam entre si nesse 'telefone sem fio' com fio urbano-banal?
-Depende se der cara ou coroa. Dias maniqueístas, sentimento de nem tanto nem talvez..Ora é um copo, ora é uma piscina.
-Ora apenas está frio demais pra entrar na água.
-Sonho com texturas, com glacê com anilina
-Se eu tivesse bastante, bastante dinheiro....Saudades só como hobby!
-Saudades' só como rima.


Juan Barreto















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O problema do bom é que provavelmente não é fácil.
O problema do fácil é que provavelmente não é certo.
O problema do certo é que provavelmente não existe.

Respirar não se aprende, aprende-se a controlar a respiração
E quem veio primeiro? O mar ou a areia?
Teu tato tecnicamente tatuado tantas temporadas, trincando têmporas, tomando tempo, travando trova, trovão.
Trocando tapa

torcendo t-shirts, tecendo teias, tinindo taças, tacando tocos.
Tirando, talvez...
Tirando!
Tornando a tirar e atirar...
...




Juan Barreto




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Era de aquariana

Ana Lúcia tinha um ano e era um bebê comum, assim como todos os outros bebês. Pequeno, fofo, com aqueles dedinhos e aqueles pezinhos que dão vontade de morder e exalando Johnson & Johnson.
Por pouco, por muito pouco a pequena não acabara se chamando ‘Guadalupe’ como queria seu avô que era mexicano patriota fervoroso e isso só não aconteceu graças à intervenção de sua avó que também era mexicana, também era fervorosa, mas achava o fim do mundo que sua neta já nascesse condenada ao estereótipo internacional. Um português não era seria menos português se deixasse de se chamar Manuel ou Joaquim, certo?  E foi assim e por isso que 'Ana Lúcia' acabara sendo: “Ana Lúcia”.
Ana Lúcia tinha sete anos e era uma criança que já apresentava nuances de uma personalidade idiossincrática. Gostava de brincar de esconde-esconde, de amarelinha, de pega-pega, de pega-bandeira... Ou seja, de qualquer coisa que envolvesse correr e pular simultaneamente – aleatoriamente – necessariamente! Mas sem mais nem menos ficava a tarde toda parada, hipnotizada, cercada e entregue a mercê de livrinhos pra colorir, gibis já coloridos e livros sem cor nenhuma, apenas letras.
Assistia desenhos animados para crianças, seriados adolescentes e também filmes de adultos que via escondido de madrugada com a televisão ligada no mute.
Uma de suas comidas favoritas era sanduíche de mortadela com suco de laranja, contanto que sua mãe tirasse as bolinhas brancas de gordura da mortadela, pois tinha um nojo absurdo delas e o suco de laranja tinha que ser devidamente coado, porque os gominhos da laranja arranhavam sua garganta, o que ela detestava. Café com leite também coado. Tinha repulsa a nata e as bolinhas que formavam do leite em pó ficavam boiando inchadas impedindo que o líquido fluísse mais facilmente.
Mas é costume do tempo passar e ele passou.
Tinha sido abandonada pelo pai aos nove anos. Sua última lembrança dessa pessoa era a dele entrando em um fusca vermelho fedido a cigarro com uma malinha, lhe sorrir e acenar de dentro do carro e dando uma ré da sua vida pra nunca mais voltar.
Ana Lúcia tinha onze anos e era ainda uma menina, mas sabia o significado e o preço de ser disso de ser idiossincrática.
“Idiossincrasia: Maneira particular que cada um tem de ver sentir e reagir perante aos fatos comuns a todos ou não.”
Foi nessa época que descobriu que não recebera da avó apenas o nome, mas também o gênio! Um gênio com resquícios de tequila mexicana.
Seus treze anos vieram pra torná-la volúvel e de uma imprevisibilidade pragmática paradoxal, assim como somos todos nós aos treze anos, essa época de nossas vidas em que tudo é tão extremo e tá só começando! E ela nada podia fazer.
Ana Lúcia não gostava e nem desgostava de alguém ou alguma coisa. Ana Lúcia AMAVA ou ODIAVA alguém ou alguma coisa.
Aos quinze anos, uma das suas maiores descobertas, ao contrario de qualquer outro adolescente normal nessa idade não foi nem a maconha, nem a bebida e nem o sexo, e sim os livros! Abraçou o habito de ler com unhas, dentes e pélvis, mas ler livros interessantes, não essas baboseiras que as pessoas acham interessante achar interessante ou pior, as coisas desinteressantes que faziam as pessoas se sentirem culpadas por as acharem desinteressantes. Como as que mandavam ler no colégio... Puta que pariu!
 “O ATENEU? EU VOU TER QUE LER O ATENEU?!” (Joga o livro no chão do banheiro do colégio  e começa a pisar)
Nada contra os clássicos, mas ler uma coisa que você precisa parar a cada quinze segundos pra procurar um significado no dicionário ao lado é como tentar meditar com o dedo enfiado no cu, ou assistir um filme de uma hora e meia de duração com oitenta e sete comerciais fatiando ele. Mais irrita do que diverte.  Quando vão entender que Machado de Assis é como se fosse um chefão de fim de fase do vídeo game? Você precisa suar, ralar, estar pronto pra encará-lo. É necessário merecer compreendê-lo e sair transformado desse encontro, se não, é dar pérolas aos porcos. É falar de física gravitacional com esquilos. Você põe o mais foda logo de cara, assusta e desestimula.
Ana Lúcia amava Mário Quintana, Fernando Sabino, Luís Fernando Veríssimo, José Saramago e um inglês chamado Sherlock Holmes.
Era dona de um senso de humor bastante irônico e isso se refletia em sua escrita. Como da vez em que surpreendeu quarenta e cinco pessoas, entre elas, colegas de classe, pais e professores, ao ler em voz alta o poema que fizera para seu pai em homenagem ao dia dos pais. Para o mesmo pai que a abandonou quando era criança.
“Só queria dizer
o quanto eu não preciso de você.
Você é como um cavalo campeão de corridas
Que quebrou a perna antes mesmo da saída.
Tinha tudo pra ser tudo e acabou não sendo nada.
Sinto sua falta tanto quanto do carro importado que eu nunca tive
ou de uma cabra.”
Era movida a música e escutava de quase tudo. Conseguia ir de “Iron Maiden” á “Alcione” No mesmo quarto de hora, no mesmo quarto de dormir. Escrevia blues e não os musicava. Inventava jingles e não dizia a ninguém.
Assim como somos todos nós aos quinze anos, Ana Lúcia estava sempre apaixonada por alguém ou por alguma coisa. Ou por um pensamento que leu não sabia aonde, ou por um novo sabor de chocolate, por um galã de cinema ou por um carinha da escola!
E o tempo passando. E o tempo assando.
Ana Lúcia tinha dezessete anos e era uma moça que estava apaixonada de verdade pela primeira vez. O mal que todos nós somos acometidos quando temos dezessete anos.
O ‘mal ‘em questão, já era maior de idade, trabalhava numa lanchonete, morava só e atendia pelo nome de:
“Paaaaulo!” (suspira)
E foi com esse rapaz...
“Paaaaulo!” (suspira)
 ... Que Ana Lúcia deu inicio a sua temporada de aprendizado.
Aprendeu o gosto do beijo, o gosto do sexo, o gosto do gesto e o gosto do desgosto. Aprendeu o significado de "muita vela pra pouco defunto". Aprendeu que ficar horas ao lado de quem se gosta simplesmente não fazendo nada é tudo! Aprendeu que o relógio não funciona sob pressão.
Aprendeu a beber, aprendeu o que beber, aprendeu que beber de mais não é bom, aprendeu a gostar, aprendeu a fingir que gostava para se entrosar, aprendeu que o ato de ‘se entrosar’ já era o maior fingimento, já que as pessoas interessantes meio que nos encontram sozinhas. Aprendeu que a vida é curta e as histórias compridas. Mas foi justamente com esse rapaz...
“Paulo”... (lamenta)
... Que Ana Lúcia aprendeu o gosto amargo e pastoso da traição.
Azar. O azar é aquele detalhezinho que ninguém dá importância, mas que faz um estrago enorme! Como um espermatozoide, só que do caos.
Naquela tarde de abril, Paulo recebeu uma saraivada de azares de Deus. Listar todos seria trabalhoso e enfadonho, mas alguns não podem deixar de ser ressaltados.
Um: Ele não foi trabalhar na segunda feira e ligou para o chefe e pra namorada dizendo que estava doente. Mas era mentira.
Dois: Ele até cogitou a existência nata do instinto materno que faz toda mulher querer cuidar de seus doentes e até pensou na ideia de Ana Lúcia passar na sua casa pra saber se o namorado estava se sentindo melhor DEPOIS da aula... E não antes.
Três: Ele havia dado a chave reserva da casa pra ela certa vez em que estava bêbado e não se lembrava.
Quatro: Ele caiu em tentação.
Cinco: A tentação estava caindo nele. De boca! Estava sendo chupado pela vizinha loirinha bonitinha no exato momento em que Ana Lúcia adentrou teatralmente o ambiente com seus livros e cadernos numa das mãos e uma sacola com aspirinas e dvds de filmes de ação na outra.
Azar, pequenas sacanagens de Deus que neste caso deixaram Paulo completamente sem escapatória.
Mais do que raiva, Ana Lúcia sentia nojo! E mais do que nojo, Ana Lúcia sentia raiva!
Viu todas as suas concepções do que era amor, do que era gostar, do que era confiança, do que era lealdade indo fossa à dentro e ladeira a baixo.
Como a temporada de aprendizado tem hora pra começar, mas não pra terminar (porque morte não é fim, mas também é lição) o que Ana Lúcia mais aprendeu foram as coisas que ninguém a ensinou. Coisas que a própria Ana Lúcia teve que se ensinar, como por exemplo, a cair e sobretudo a se levantar porque de onde veio essa viriam outras mais e o truque era exatamente esse: Não evitar que coisas ruins aconteçam, porque além de ingênuo é idiota. Tinha mais era que aprender a desviar de flechas e caminhar sobre o braseiro e beber água mesmo quando não estivesse com sede, por precaução.
E o tempo mais uma vez corroendo a vida de Ana Lúcia.
Aos vinte e um ainda estava na fase dos vinte e poucos. Aos vinte e três estava na paranoia de que tinha quase vinte e cinco, espírito fazendo bodas de prata.
Aos vinte e sete era enfim mulher e percebeu que seus "vinte e sete" eram os "vinte e cinco" da melhor amiga, os dezenove da colega de trabalho que era muito madura para a própria idade e na sua condição de pessoa ímpar foi desmistificando essa máxima de que números são ciência exata. A paciência não é uma ciência exata. O empirismo é forte, mas não é onipotente.

Uma compilação pra você, uma depilação pra mim.
Uma transpiração pra você, uma contemplação pra mim.
Uma conjugação pra você, uma continuação pra mim.
Uma confirmação pra você, uma declaração pra mim.
Uma transformação pra você, uma conspiração pra mim.
Uma motivação pra você, uma satisfação pra mim.
(...)
O irônico é que só sabemos se o novo é realmente bom quando ele já está velho, e ai independente de qualquer coisa, o impulso natural humano nos manda procurar um novo novo e de certa forma, todo mundo sai perdendo um pouquinho. A gente fica com aquela sensação de que engoliu uma camisa molhada torcida.
O mundo é um tubo de ensaio.
Foi bruto, abrupto, encarei, corei...queria.
Dias ruins as vezes são trigêmeos e minha esportiva foi pega no dopping...

Juan Barreto

















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CHUSMA

Nem trela, nem trago, não te darei mais nada.
Seu gostar, de tão subjetivo, perdeu o objetivo.
Bom, dizem que gelo conserva..veremos...veremos...
Ouvirei dessas línguas velozes e furiosas que não são imprensa, mas são espessas, lapidando e lambuzando fatos como chiclete.
Uma imagem vale mais que mil palavras, mas mil palavras não valem uma atitude.
Coração eletroencéfalopunk, eletroencéfalogreat.
E se meu piercing furou minha alma e todos esses 'pssssius' que eu escuto não forem pra mim, e sim, de mim?
Você que diz não gostar de rótulos...por isso que não sabe diferenciar as garrafas e vive bebendo água sanitária achando que é suco. Clareando seus dentes só pra manter vivo o provérbio de que não há um mal que não traga um bem.
O que esperar de tudo isso? Apenas que meu ônibus chegue logo.



Juan Barreto












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Ele que nunca pregou um botão em toda a vida, que não pregou os olhos a noite inteira, dormiu pra não azedar a alma. Foi sonhar, foi crescer pra dentro.
Sonâmbulo que dança lânguido, sem ângulo, no galho mais alto da árvore mais alta e não acorda e nem cai, porque arrogância é feita de hélio. O que não te mata se fortalece.
O mundo é redondo, mas a vida é pontiaguda. Você é apenas uma almofada de alfinetes.
"Valer a pena" é tão relativo que mesmo que fosse padrão, ainda assim, seria meramente opção. Reposição.
A paixão é como a época de chuvas, ficamos agoniados que não tem, mas quando vem, só chega naquelas horas em que a gente precisa muito ir à outro lugar, (nos emputecendo nítido-devagar como o amadurecer de um morango) porém, quando se vai, deixa um rastro de meleca e saudades.
O amor é mais simples, é nadar nu numa piscina gigante de bolinhas.
Aceite e receite
Desafinar é tão fácil que acontece sozinho.


Juan Barreto.


Love me. Ouve-me...

Bate no peito pra dizer que é homem, bate no outro pra dizerem que é macho.
Bate ponto em frente a televisão, bate os dentes de solidão.
Bate carteira e ninguém percebe, bate punheta-bateria, bate medo dos batmóveis, pois bate porta à noite na BR.
Neve é caspa de Deus, batendo cabelo na boate.
A vida tem bastante batentes. 'It's a battle de bate boca, fico besta! Bate record.
Não bata em quem bota
por que bate e volta.
Bom senso é software livre, tá ai só esperando você usar!
Já tive rival, já tive revival e hoje eu tenho muitas ex coisas e mais coisas ainda pra conquistar.
Lembrando sempre, claro, dona Clarice, que aquilo que não tem que acontecer tem mais força ainda!
Pensando aqui que na verdade, o sol é quem vê pessoas nascendo e se pondo todo santo dia!
Só não lhe digo como seria bom o mundo sem os otimistas, porque seria um pensamento otimista e eu não sou otimista, sou como o cogumelo, que vive na merda, mas vez ou outra aparece alguém maluco o bastante querendo lamber.




Juan Barreto






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