Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Ela deve ter a mão macia e morna de quem trabalha duro lavando céus e esfregando sonhos, pendurando-os pra secar nos fios dos postes.
Ele com sua barba de dois dias que pinica quem a acaricía. São os espinhos do rosa.
O homem é uma laranja de carne e a carne laranja das pessoas bronzeadas demais é feia, me incomoda.
Eu tenho ouvido mais minha mãe e menos Beatles.
Caminhar me desacelera por dentro. Meus sentimentos ruins descem pelas pernas como um suor sujo e ficam pregados nas areias da praia feito pocinhas de piche.
O impossível é o futuro-mais-que-imperfeito do impulsivo.
Amor deve ser como um cafuné. Quem recebe ganha a massagem e quem faz ganha o perfume nos dedos
Eu gosto de comer cheiros
Te abro e te lambo como uma bolacha de morango.
Mas cheiro é uma coisa pra se sentir de perto
Cheiro de longe sempre corre o risco de ser confundido com uma impressão
E de impressão, já me basta essa que eu tenho de que gosto de ti.


Juan Barreto

Domingo, 12 de Julho de 2009

Saudade não tem hora
Você não tem jeito
Eu nao tenho você (ainda!)
e isso não tem graça.


Juan, o Barreto

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Seja vegetariano pois é mais moda, seja carnívoro pois é mais fácil.
Seja gay pois é mais moda, seja hétero pois é mais fácil.
Escute músicas merdas pois é mais moda
Seja um merda de pessoa pois é mais fácil.
Seja um fácil de pessoa pois é mais moda, mas não reclame se depois se sentir um merda.
Use moda, seja vegetariano provavelmente gay e fácil, todos vão te amar, afinal de contas, mais "in", mais "cult" , mais "lovely"só se você for dono de um brechó.
Eu sei, é uma merda.
Ser inteligente não é saber tudo sobre tudo, é saber muito sobre muito.
Ser esperto é saber bastante sobre o que é preciso saber.
Ser burro é fácil
é moda
e é uma merda
Sobretudo pra nós que temos que conviver.


Juan Barreto

Terça-feira, 7 de Julho de 2009


Rock in Rolla (Guy Ritchie - 2008)

Snatch - Entre porcos e diamantes (Guy Ritchie - 2005)

Como um diretor espetacular como Guy Ritchie ficou anos conhecido apenas como "O marido da Madonna"??
Qualé!!!

Domingo, 5 de Julho de 2009

O destino do ser humano é ser comido...nem que seja pela terra.
Casar virgem é como ir ao show de um artista que você não conhece e não sabe cantar nenhuma música.Por mais que seja divertido, você não curte nem um terço do que curte a galera do fã clube!


Juan Barreto

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Um brinde aos pensamentos renováveis, aos sentimentos removíveis, as estruturas remontáveis e as pessoas resurgíveis.
A cada quatro nipes, um bobo comanda os outros.
Receita para uma sopa de ser humano: Dois braços, duas pernas, uma cabeça e sal (dade).
O braço do violão é um livro em braile
São raias de uma pista de corrida.
Escrever é um exercício que deve ser feito todo dia porque se não, o cérebro fica flácido e com estria.
E de frouxo, minha gente, já basta os cadarços da vida.
A caridade nem é tão cara assim.
Um lado do portão é seu, o outro é da rua.
Um lado da lua é de Deus o outro lado é meu
Você que prometeu!



Juan Barreto





Foto:juan

Domingo, 28 de Junho de 2009

Todo dia que passa é um funcionário que foi demitido.
Todo dia que começa é um novato tendo apenas algumas horas pra mostrar que é bom.
E o dia que sai, antes de bater o ponto, de bater a porta, deixa um bilhetinho na mesa do recém contratado:
"Seja melhor do que eu!"

Juan Barreto

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Viver é um processo de despelar todo dia um pouquinho, até chegar no osso.
Ninguém conhece você tão bem como a mobília da sua casa.

Juan

Domingo, 14 de Junho de 2009

Achar um corpo amigo é incrível
Achar o corpo de um amigo é inacreditável.
Beijinhos de aniversário são doces
Aniversário de beijinhos é doce.
O herói sem sua heroina seria só
O 'boy' sem sua heroina, cheira pó.
Sonhar é como passear com cachorro grande
Ou se anda lado a lado ou ele dispara na frente e te arrasta até derrubar.


Juan Barreto

Domingo, 7 de Junho de 2009

Sábado, hora do almoço. Dois quarteirões inteiros me separam do restaurante mais próximo. Sinto-me um lagarto embaixo de uma rocha no meio do deserto, tendo que sair pra comer, apesar de tudo estar inundado de claridade e calor lá fora. É morrer lá de uma coisa ou aqui de outra.
Agora sou o oitavo de uma fila de oito. Numa mão um prato, na outra o cartão de crédito, na cabeça frases feias e ofensivas direcionadas ao caixa lento, na camiseta frases de Mário Quintana. Eu sou um cínico nato.
“-Ótimo! Churrasco frio num dia quente!” - Penso irritado.
Me acomodo numa mesa simpática. Sua superfície é amarela com pintinhas pretas. Parece um maracujá, parece uma banana, enfim. Lugares com uma grande circulação de pessoas como lanchonetes e rodoviárias, são uma ótima oportunidade de exercitar sua audição seletiva.
Mesa da frente. Duas garotinhas. Uma deve ter uns seis anos, a outra uns quatro.
Estão comendo sushi como quem come uma bolacha, A pequena peça de arroz parece um disco de hóquei em suas mãozinhas. A mais velha molha o sushi no molho shoio. A mais nova ao perceber isso, faz uma cara de assombro e alarde.

4 anos – Vivííííi... Você molhou seu bolinho ai?! Isso é sangue de peixe morto!
6 anos ( Que tinha acabado de enfiar um sushi inteiro na boca, para de mastigar e responde com a voz embargada) - É não!
4 anos (Olhos arregalados e fazendo voz de mistério) - É claro que é!
6 anos (engolindo levemente desconfiada) - Não é! (termina de engolir com ar de desafio) - Não é sangue de peixe morto!
4 anos apenas encara com repulssa.
Uns 10 segundos de encarada
6 anos (num muxoxo de choro) - Pare!
4 anos (Dando a risada mais gostosa que eu já ouvi) –Há, há, há. É nãão! Mas você pensou que era!

Que coisinha fofinha e malígna.

6 anos (Chegando mais perto da outra e diminuindo o tom de voz) - Vamos colocar isso no copo da Bia pra ela pensar que é coca cola??

Que coisinha mais fofinha e mais malígna.

4 anos (extasiada) – Vaaamo, vai, bota, antes que elas venham!
Elas enchem um copo descartável ate a borda de shoio e voltam a comer seus sushis com a naturalidade dissimulada de um espião russo. Em poucos minutos a mãe, que estava na fila pagando a conta, volta à mesa com seu pratinho e a filha mais nova, de uns três anos.
A mais nova percebe o copo de “coca”. Minha comida, claro já estava gelada como um cadáver há muito tempo, mas quem se importa? Eu quero é ver o fim disso.
Uma sensação incrível se apodera de mim. A de saber que a merda vai acontecer, saber que tenho o poder de evitá-la, mas simplesmente prefirir esperar e observar pra ver o que vai acontecer, porque é tão mais divertido!
Nossa, deve ser assim que Deus se sente!

3 anos – Co-ca!

Três pares de olhinhos brilhosos pousam ávidos e ansiosos em cima da de três anos como se fossem miras a laser. Os das duas irmãs e os meus, a uns dois metros atrás. Eu a essas alturas já sou cúmplice total.
Momento de suspense. Parece pênalti para o Brasil. É agora! Duas mãozinhas rosa-gordinhas erguem o copo da mesa...

Mãe - Onde vocês conseguiram essa coca? Eu não comprei refrigerante!

A mãe enquanto fala, toma o copo da mão da pequena que já ia a meio caminho da boquinha e o cheira. Farsa desmascarada. Enquanto escutam o sermão, a de 4 e a de 6 se olham com aquele olhar ardido furioso de “quase “.
Se olhassem pra trás veriam a mim também frustrado dando um soquinho discreto no tampo da mesa igual a um técnico depois de uma derrota de seu time.
Aproveito pra mudar de canal, afinal, um homem adulto encarando menininhas de seis anos é muito, muito suspeito. Na mesa a minha esquerda tem um gordo com cabelo moicano e camiseta do “Sistem of Down”, mas de seus fones altíssimos eu posso ouvir um sucesso antigo da Celine Dion. Me deu vontade de chamar a mãe da mesa da frente e dizer “Desmascare aquela farsa ali também Sherlock!”. A minha direita há uma velha senhora de cabelo curto e um semi-topete acajú que me lembra bastante o pica-pau. Ela fala alto no celular, visivelmente irritada: “Quando eu chegar em casa quero minha piscina limpa Ramon, não me importa como!”
Atrás de mim escuto um “pim” de microondas, que é o que de fato estou precisando agora. Levanto-me e peço pra moça de redinha no cabelo que, por favor, esquente meu prato. Ao voltar pra mesa, por via das dúvidas, ponho meu óculos escuros.


Juan Barreto

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Ler é cozinhar o cérebro com os temperos certos
É cafetear a curiosidade


Juan Barreto

Sábado, 30 de Maio de 2009

Dance-se

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

A chuva chicoteia insistentemente a fachada dos prédios da cidade. Começo de madrugada. Apartamento frio de clima e frio de gente.
Todos dormem.
Um “Let it be” começa baixinho, vai crescendo, encorpando ate ecoar pelo quarto acordando a moça que dormia a pouco mais de um metro. Atordoada como ficam todos que são acordados, estica o braço e atende antes que Paul Mcartney acorde a casa toda.
“Let it beeee, let it beeee...”
-Oi, alô? Quem é?
Do outro lado alguém hesita, toma fôlego e fala.
-Desculpa ta te ligando.

Aquela voz, ela lembra de algum lugar, mas essa voz não deveria estar no seu celular.
Não mais.
Olha o visor. Estranho, estranhíssimo por sinal, mas o dono confere.

-O que você quer?
-Desculpa te ligar, ainda mais uma hora dessas. É que acabei de sonhar com você. Um sonho ruim e queria saber se está tudo bem.
-Sei, sei. Olha eu tava dormindo, amanhã eu tenho aula cedo. Desculpa, mas eu vou desligar. Eu estou bem. Tchau.
Ele não responde. Ela desliga e volta a se deitar ainda entre a raiva e a surpresa.

"Estranho, estranho e estranho. Depois de meses, ligar assim de madrugada, com esse papo furado, que idiota! A voz dele continua linda. - Ela pensa. – Péra ai... Madrugada?!"
Ela estica o braço e apalpa o montinho mais escuro no meio do escuro. Uma luz azulada meio arquivo x a cega, quando a retina se adapta a claridade ela vê o “1:21 a:m” no canto direito superior da tela. Sem pensar muito no que está fazendo, seu polegar aperta o botão verde. Coração bate forte.

A chuva chicoteia a janela. A tv mostra “Os Simpsons”, mas ele está na cozinha esquentando um leite com nescau. A voz do Marcelo Camelo avisa que alguém o chama. Ele com cinco passadas largas chega ao quarto, olha no visor. – É ela!
Coração bate forte.
Infantilmente ajeita os cabelos com os dedos e respira fundo antes de atender.
-Oi?
-Você não estáva dormindo. Você não dorme a 1:21 da manhã. O que você queria?
-Eu já lhe disse.
-Disse, mas eu não acredito.
-Ah, Não posso fazer nada quanto a isso.
-É? Pois diz ai como é que foi esse sonho. - Seu tom era irônico.
-Estávamos na sua casa, na janela. Eu ia colocar uma rosa no seu cabelo, mas o vento a levava, quando você se inclinou para tentar pegá-la, se desequilibrou e caiu.
-Hum.
-Pois é
(Silêncio)
-Sei não. Ta muito mentiroso esse sonho.
-Você precisava ver o que eu tive ontem onde eu era o baterista da Ivete Sangalo.
Ela ri. Ele sorri.
(Silêncio)
Ele quem fala primeiro.
- Mas tá tudo bem mesmo né?
-Tá sim.
-Certo.
-Então vou indo. Boa noite pra ti.
-Boa.
Desligam.
Ele está se sentindo mais imbecil do que nunca em toda a sua existência. Eufórico, mas imbecil.
Queria mexer nas suas configurações e desabilitar o ítem “impulsividade”, mas agora já era tarde demais pra isso e cedo demais pro seu dormir. Foi pro computador ver se se distraia pelo menos o suficiente pro seu sangue voltar a circular pelo resto do corpo, porque parece que ele estava todo concentrado na cabeça durante os últimos cinco minutos. A voz dela ainda estava grudada nas paredes do quarto, nas paredes dos seus tímpanos. Mas essa voz há de sair, assim como seu cheiro saiu de seus lençóis e de seus dedos. Talvez não hoje. Certamente não hoje.
Sentia se patético como um alcoólatra que comemora dois meses sem beber tomando um porre. De repente um som característico e uma plaquinha no canto direito inferior da tela.
Ele olha mais por instinto do que por interesse e quando vê o nome sorri com os olhos, boca e coração. Seres humanos e seus kit multi-mídias orgânicos.
Quase que simultâneo, uma barrinha laranja que há muito não dava as caras, pulsa:

"Fiquei sem sono :C
Tá no msn??"

O resto é Belle and Sebastian nas alturas. Tão bom não ter vizinhos nas horas de felicidade inesperada.


Juan Barreto

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Dente de tubarão

Envelhecer é ir perdendo a necessidade de se sentir notado, mas nunca a sensibilidade de se ver reconhecido.
A gente vai até onde dá, vive como pode, ama como deixam
A gente só controla o que tem botões ou fios
O resto é loteria
Envelhecer é perceber que só quem perde é livre pra experimentar uma nova entrada teatral, uma nova frase de efeito, um novo perfume.
É perceber que pode se criar constantemente novos costumes
Quem ganha vive engessado e acaba indo morar dentro do troféu
E teme que o tomem
Quem vence só enxerga a vitória, enquanto quem perde observa como ganhar.
Sua última página de vida foi em casa, a luz era âmbar e ele tocava músicas para a mobília.
Era madrugada e meia e tudo cheirava a conforto
Seu violão até o fim... Um nos braços do outro.
Um homem tem que ecoar pra sempre
Preencher mentes e ambientes
como um "lá" bem dado.

Juan Barreto

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

E quem poderá prever onde uma pipa perdida poderá cair?
Já que nossos demônios escapam o tempo todo, seja pela boca, seja pelos dedos, não tem jeito.
Voce acredita no acaso?
Ou tudo é apenas ligar pontos e formar uma figura maior?
E insistir em existir?
É confiar no vão
e nao deixar cair
Não deixo não.
-É não deixar cair!
-Não deixo não!


Juan Barreto

Sábado, 16 de Maio de 2009

Voce já tomou o seu remédio contra raiva hoje?

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Nem tudo o que se quer é querido
Nem tudo o que se tem é temido
Nem tudo que se está sem é sentido
Nem tudo que está com é contido
Nem tudo que está é estalido
Nem tudo o que se fala é falido
Nem todo amor é amido


Juan B.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Não sei qual é o sabor desse seu picolé
Ou o tempero desse seu chá
Não sei qual o aroma do seu narguilé
Ou que nuance tem esse seu "Lá"
O seu sorriso é o melhor da cidade
E as caretas alheias é a cara da má vontade
Eu ando no ritmo dos oceanos
Voce pode me encontrar em qualquer fuso-horário de qualquer meridiano
Eu sou do tempo em que sonhos serviam como massinhas de modelar
Eu sou da época em que nem toda novela das seis era de época
Se o meus papéis eram tão importantes pra voce a ponto de voce os furtar...
Então fique
Pra voce ver como eu mudei,
Em outros tempos eu mandaria voce enfiar!
O tempo que o mofo leva pra maturar é o tempo que eu me recupero cada vez mais rápido
Se era pra engolir esse sapo
Eu só posso ser a cobra
E eu sou mesmo
Da pior laia que existe
E como diz o ditado que eu mesmo inventei
Malandro que rouba palácio de rei
Que cai em pé e corre deitado
Um dia esquece o portão do barraco encostado
E quando menos se espera,tá lendo revista é no pé do ouvido do djabo.


Juan Barreto

Domingo, 26 de Abril de 2009

Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Domingo, 5 de Abril de 2009

Engolir em seco
Beijos molhados
Olhares dados sem pedir nada em troca
Abraços.
Há braços
e pernas pra que te quero!
Olho azul, dedo amarelo.
Cheiro verde na comida, cheiro vermelho no quarto.
Tudo é cor e eu posso provar.
Incenso intenso
invadindo pessoas à dentro.
Manhã magenta de sábado
Mãe, primos, tias.
Conversas de cozinha.
Xícaras
Na janela um quadro vivo do dia
chamado: “Uma chuva enxerida.”
Milhares de calorias
circulando dentro de pessoas frias.
Escrever errado é direito... meu.
Substitua o "muito obrigado" por "agradecido"
e deixe o efeito agir.
O agir gira.
Voar ao som de Yann Tiersen
Mastigar essas vibrações
e cuspir pra cima.
Respirar é uma dança moderna desenvolvida para envolver.
Pouco se sabe sobre o sorriso
Mas especula-se que foi algo inventado sem querer.


Juan Barreto

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Eu sou o que a sorte nao viu e o azar enjoou.
eu sou autor.
e voce é musa.
portanto, é voce quem vai mudar
você foi minha maconha, mas acho que ja passou a sua lombra.
Aproveite e vá passando você também.
Assim como na macúmba, o segredo é sair sem olhar pra trás
porque se não olhar pra frente, você tropeça e cai.


Juan Barreto.

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Hoje, agora.. doze minutos antes de ir pegar o onibus e viajar me deu essa falta de ar.
Adoro viajar, mas detesto a parte da viagem.
Espero dormir.
Paulo veio aqui, pegou umas coisas e foi pra casa, quase sem dar tchau. Estendeu a mao, eu apertei e ele disse "Pensei q tu fosse dar a chave!"
Saudades do pequeno caio gabriel. muitas.
Mas é como dar um grito numa bolha, niguem escuta!
Meu onibus..ainda tenho que conseguir um taxi.

Juan B.

Sábado, 21 de Março de 2009

Domingos me dão esse desepero nervoso que irrita meu estômago.
Essa impaciência.
Tudo quieto, todo mundo meio deitado, meio dormindo
Me dá uma vontade de pôr meus óculos escuros e simplesmente ir.
Ir andando.
E ir...e ir.. e ir..
e ir.



juan barreto

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

A alma vinha descendo lentamente em zig-zague, tal e qual uma folha caindo do céu. Pousou macia e sutil dentro do corpo deitado.
Que ruflem os tambores, pode ser a qualquer momento...
Abriu os olhos, a luz da matéria está acesa! Tem gente na casa!
Piscou, mordeu o ar, roçou sua língua na própria língua.
Espremeu as mãos estalando os "dedos- bambús"com força fazendo barulho de batata rufles sendo quebrada.
Ergueu o corpo da cama como uma mão que suspende um marionete, um pulso que comanda um boneco de vodoo, um fantoche.
Viu sua cara no espelho:
"Então esse é o grande sonho almejado pelas almas? Ter sua própria casca?! Grande bosta!"
E riu-se de deboche.
Hoje não estou pra modéstias, não estou pra moléstias, não estou pra aprender, nem pra compreender.
Nem pra pedir, nem pra emprestar.
Não estou na esquina, não estou na cozinha e não estou na sala de estar.
Hoje você não pode me encontrar facilmente numa locadora perto de você.
Hoje eu não tenho paciência e nem boa vontade.
Nem dó nem piedade.
Eu não sou relaxante, não sou methiolate de joelhos e corações esfolados, nem rico em vitamina C.
Eu sou só um bicho só
Um caramujo meio crú, meio cozido.
Agora chega disso
Que hoje eu também não tô pra falar e nem pra escrever.


Juan Barreto

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Prestar atenção à prestação.
Eu não!
Eu sou água fria num balde, doida pra me esparramar por inteira no seu chão.
Lá tenho paciência de ficar retida em cano, sendo tomada à copo, sendo botada no feijão?!
Me beba!
ME BEBA AGORA!
Me refresque mais uma vez com sua boca
Me aqueça mais uma vez com sua mão.


juan barreto

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Ele mora na casa na árvore onde as paredes tem textura de giz de cera.
Acordou, tomou um gole de azul escuro, preferiu ir comer na feira.
Tomou chuva, tomou ônibus, tomou coragem nem que não queira!
Pensou nas suas certezas e nas suas vontades, tentou adivinhar qual grau de parentesco existe entre elas.
Qual o nível de afinidade.
Existem pensamentos que são que nem moscas, a gente espanta e eles voltam a pousar no mesmo lugar.
Ele estava assim fazia uns dias.
Coberto de moscas e de alegria
Essas alegrias medrosas são como correr em chão molhado.. medo de cair a qualquer momento.
Mas a maresia da serra sopra no ouvido dele, diz que não será disso que ele irá morrer, que ele pode apostar suas fichas nessa rodada.
Não todas, porque precisa ao menos de uma pra ligar pra casa no fim da tarde
Falar com sua mãe, dizer que está tudo bem, passar seus beijos pelas ondas, contar as novidades
Dizer que se sente feliz, que sabe amar, que é uma pessoa de verdade.


Juan Barreto

Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

glitter no cu dos outros é refresco.

Tão certo quanto a morte, e por mim tão horripilante quanto.
Chegou a época da putaria por cima dos panos
Ao menos uma vez no ano
Exceto na bahia
Que é putaria todo dia.
Carnaval lembra carne
Festival de carnes...Carnaval.
Minha "air guitar" já está afinada em sí béu márques.
Carnaval é como o efeito de um gol de falta, na vida do brasileiro
Meu medo do carnaval acabar é de Ivete virar santa.
Ai já emenda a festa de fevereiro até a semana santa!
Mas uma hora o réco réco para.
Uma hora a baiana para de rodar
Após a explosão e o esplendor de brilhos e cores, de charmes e encantos, tudo termina nas cinzas da quarta, e foi aii, SÓ AÍÍ, que Deus disse o "ufa" e descançou!
E tudo, claro, com comentários de lecí Brandão e Maurício Kubruksdce%¨¨#@%%&...
"Luis Caldas" forever!!



Juan Barreto

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Fui sorrir e saiu um "c". "Cê" de você.



Juan Barreto

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009












E hoje ele levantou não cebola, não azedo, não azul de fome.
Acordou dando bom dia pra cozinha vazia
Chamou as cadeiras e as xícaras pelos seus nomes
Escovou seus dentes e cabelos, teve uma noção de sí através do espelho
e pôs se a pensar enquanto ia para o trabalho, nos grandes que nunca cresceram, nos pequenos que só encolheram.
Nos que não lhe escolheram, nos que lhe esqueceram, nos que lhe acolheram.
Lembrou que era sábado e não estava atrasado.
Girou feito um compasso, voltou pra casa e fez uma bananada
Vendo tevê, pensou na pataquáda desorganizada que é essa agência de cupidos
Todos estupidos, entupídos
Não falam nossa língua, não são telepátas
Quase não servem mais pra nada
O miado grosso de uma zebra vindo de algum quintal vizinho o trouxe de volta a realidade.
Pegou um pensamento que tinha a moça bonita e o pôs embaixo da sua camisa
abraçando os seus joelhos e sua barriga
Pensou:
"Te aquecendo mais ainda, mais ainda, mais ainda!"
E no chiado da chaleira, ele dormiu dessa maneira
Parecendo uma torneira
Aquecendo seu carinho como um ovo
Mas ela também pensava nele por aqueles dias
E ela sorria enquanto comia
Tudo era tão novo
Que não havia o que saber se havia.
Ele tocava uma valsinha do fá sustenido pro sí menor
Enquanto ela girava em seu próprio eixo
Ela é como a terra, só que de vestido vermelho
Pára pra lhe dár um beijo
E pôe se a assobiar.


Juan Barreto

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Não deu mais cupim nos meus barcos de papel, não deu mais insetos nos frutos da minha imaginação.
O balde encheu, o leite ferveu, já matou o que tinha que matar
E o que não dá mais é porque já deu.
Se o sapato já não cabe mais é porque o pé cresceu.
Nessa novela viva, o final não tem sexta feira certa.
Tudo está começando a cheirar a café da manhã
Tudo finalmente está começando a cheirar doce.
Alíce é um belo nome
Alíce é uma bela menina
Alíce é uma bela história
Senta alíce! O coelho correu e você nem morreu!
Um rosto como o seu eu não esqueceria.
Não um rosto como o seu
Até esqueceria..
Só pra me surpreender toda vez, toda vida, todo dia.


Juan Barreto

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

"- Os mosquitos sumiram!
- Sumiram não! Tu que não tá mais sentindo! - Responde alguém do meio dos matos
- Não é que é mesmo!"

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

E ele enfim percebeu que pelo menos pra ele, a música havia terminado.
Tirou os sapatos querendo chorar
E foi se sentar na calçada, esperar o dia clarear.
Pra ir pra casa cansado
Exausto de não dançar.
Com a garganta fechada, a cabeça cheia e o coração apertado, ainda pensou antes de adormecer no ônibus lotado:
"Não lembro da música ter nem ao menos tocado!"
Que diferença isso faz?
Deus já não lhe deve mais.


Juan Barreto

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Eu te gosto com a timidez dos que procuram escondidinhos na calada da noite uma palavra estranha no dicionário, e com a intensidade feroz de quem não a acha.
Mas eu de fato não sei ler você
E você não sabe se escrever pra mim
De um lado falta habilidade
Do outro, interesse.


Juan Barreto

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

A vida é uma tarde no parquinho
Com todas as felicidades, subidas e descidas no escorrega.
Com todos os sorrisos, os sorvetes de casquinha as casquinhas de ferida em nossas pernas
Os joelhos esfolados das brigas e do futebol.
Há quem só brinque, há quem brinque só
Há quem só olhe, mas não há quem olhe só
Porque sempre tem quem olhe pra nós.
Um olho morno olha por nós
Eu posso sentir.
A morte são nossas mães e babás nos chamando pra casa pra ir tomar banho e jantar, que já tá tarde.
E a gente tem que ir!

Juan Barreto

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

O menino amarrou um barbante na sua coragem e levantou voo.
O menor pensamento torto, o menor sorriso fosco e seu balão pode estourar.
Pendurado como uma vírgula
Nem firme e nem forte
Nem "Oh!" e nem " Ah!"
Mas ainda assim ele está lá.
Sabe a sensação de que a lua está nos acompanhando? De que parece que ela está se movendo?
É o menino e seu balão, sendo carregados pelo vento.
Comendo estrelas como se fossem "corn flakes", como se fossem açúcar.
Comendo o queijo da lua
Bebendo água da chuva
Pendurado como um pêndulo
Eu ouvi uma música no piano, uma cantiga de ninar
Entra noite mãe
Entra dia pai
E nada da gente acordar
Não, ele não é a cegonha
Não, não é vergonha ter medo de cair
Já é dígno o bastante resistir as tentações, as estações, a gravidade, as tempestades.
A vontade de chorar, de rir
De se coçar, de dormir, de soltar.
Diz meu neto que o neto dele disse pra ele
Que apesar do pesar
Nem grande e nem coisa
Nem fede e nem cheira
Mais pra lá do que pra cá
Mas ainda assim ele está lá



Juan Barreto

Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Alguns pensamentos invadem minha cabeça, pegando minhas emoções só de toalha
O coração fala por código Morse
Eu sou que nem leite fervendo..Eu cresço do nada
Eu tenho meus medos mudos de que esse seu raio de sol seja apenas impressão
Daquelas que voce pensa que é um disco voador e no fim das contas era só um avião.
Tá dificil.
Mas difícil em "fícil" eu logo te alcanço e digo "Toma, voce deixou cair isso!"
Meu rosto semi arborizado, seu rosto semi ruborizado.
Será que agora vai?
Oh mine..


Juan Barreto

Sábado, 24 de Janeiro de 2009

A gripe me pegou bem antes do amor!

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

É que quem vive com a constância do pouco, quando acontece o eclipse raro do "muito", tudo dura o tempo de um jantar, de um cantar de parabéns e quando a gente vê, já é aniversário de outra pessoa, já tem palmas na casa ao lado
E o que resta da nossa festa é apenas fumaça de vela e guaraná quente.
Eu nunca sei o que fazer no meio de muita gente.
Se fico a mostrar meus dentes
ou se abro meus presentes na presença dos presentes.
Eu sei de um lugar onde podemos brincar em paz
Lá só se chega de balão e só se entra com senha que geralmente é um poeminha
Ordens do rei e da rainha.
Lá desenho casas, escuto casos
Escrevo coisas
E as coisas me escrevem de volta
Me mandam cartões no natal e rosas o ano inteiro
Endereçadas ao Sr e Sra Barreto
Numa época em que sorrir é artigo de luxo, ítem de colecionador, onde a alegria anda tão racionada, ai me vem você e me trás caixas e mais caixas!


Juan Barreto

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Meu coração é uma luz
não apague quando sair
deixa a conta vir alta
que é por uma boa causa.


juan barreto

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Feliz, feliz e feliz!

"Imagino que ao longo dos últimos dias muitos de vocês devem ter tomado conhecimento de boatos a respeito de um possível retorno do Los Hermanos aos palcos no mês de março. Durante este período estive apenas aguardando, com certa ansiedade, admito, o momento adequado para vir a público confirmar a informação"

Bruno Medina- tecladista dos los hermanos

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

meu corpo viaja pra um lugar, minha mente pra outro.

Pra quem Deus reza nos momentos de aperto?
Quem segura sua mão dizendo"Não fica assim não nêgo!"?
Sem amigos, sem maezinha pra chorar
Ninguém pra perguntar se doeu
Caramba.. Deus é mais sozinho do que eu!
Mas mesmo assim..
Eu vou sair daqui
Aqui tem luz demais
O acaso e seus casais
sempre sentando na mesa ao lado pra me provocar
Parece que o dia nao me pos na lista dos que riem
Os barrados que se virem
Vire-se de frente pra mim
Entrelace seus cílios nos meus
Isso já é motivo pra sorrir.
E isso já me faz mais sortudo do que Deus

Juan Barreto

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Era uma festa num estacionamento de um shopping qualquer. Muita gente, muita gente mesmo.
Vários subgrupos das mais variadas pessoas, conversando alto, bebendo muito, rindo forte. Um desses subgrupos era inteiramente composto por rapazes que falavam gesticulando exageradamente. Não eram mudos, eram jovens. Um enorme paredão de caixas de som tocava alguma coisa como "tum, tum tum, tchíííí , tum, tum, tum, tchííí..."
Um rapaz sai dos arbustos, andando reto, a passos firmes e rápidos. Quando se deram conta que ele vinha, ele já estava.
Um taco de sinuca se ergueu no ar como um arpão e desceu num “zííííp”, como uma espada cortando o ar, acertando o garoto mais alto na horizontal em cheio na orelha esquerda. Uma roda imediatamente se abriu.
"Pá!" "OOhhh!" "AAAAAhhh!!!"
Um dos amigos do atingido fez menção de reagir, mas o taco de sinuca estava em riste novamente, a parte do cabo voltada pra frente ameaçadora.
-Fique na sua! Eu nem sei quem é você, então não se meta!
A voz do agressor, apesar de ofegante era taxativa, ele não estava blefando.
O amigo ainda parou e ponderou o mais rápido que a situação permitia, e optou por recuar. Havia agora um circulo enorme e as caixas de som e os amplificadores estavam mudos, todos aos poucos iam emudecendo.
O agressor voltava a falar, agora pra todos.
-Só um segundo e logo explico.
"PÁ!"- Uma nova pancada com o cabo do taco acertando agora os joelhos do rapaz que se contorceu de dor no chão em posição fetal, uma mão apertava os joelhos (provavelmente quebrados) e a outra trêmula, apertava a orelha visivelmente estourada de onde escorria muito sangue , agora empoçando um contorno de sua cabeça no asfalto preto do estacionamento.
A palestra, o comício, a explicação agora nem precisava ser gritada. As atenções estavam voltadas de um jeito tão unânime para o agressor, que este falando a meia voz, se fez ouvir e impressionar.
-Esse... Lixo atropelou minha prima de oito anos. Passou com sua caminhonete cara por cima de sua bicicleta como quem pisa numa folha seca.
Ele não parou pra ajudá-la. Ao ser levado a corte, ele admitiu que estava sobre efeito de drogas, e estava com fones no ouvido, por isso não ouviu os pedidos de socorro. Sim, houveram pedidos de socorro! Minha prima ficou sangrando e chorando por alguns minutos no asfalto frio e sujo até morrer. Hemorragia interna. E esse dejeto, semanas depois estava num bar jogando sinuca! E ao ser indagado sobre o acontecido apenas riu, tomou sua dose de martini e disse “Tenho mesmo o pé muito pesado pra dirigir!”
Pausa.
Após um breve momento de recomposição, o agressor tornava a falar como um professor explicando um teorema. Andava em circulos, o taco como uma bengala.
- Eu só vim aqui pra me certificar que ele não tenha mais o pé tão pesado, que não escute mais nada alto demais, a droga... A droga é você seu monte de porcaria, escroto filho da puta! Por que aqui? porque durante uma festa? Por que era festa pra minha prima também! Ela tinha acabado de ganhar sua primeira bicicleta!Entao me diga verme, como é ser arrancado de um momento de alegria e ser atirado violentamente ao chão e morrer lentamente?
Silêncio, a menção a "morte" impressiona demais as pessoas.
-Ah.. Seu martini senhor!
Ele puxa de dentro do paletó uma garrafa pela metade de martini bianco pela metade e a despeja sobre o corpo ainda encolhido no chão que agora grunhe baixinho como um cachorro novo. Após esvaziar a garrafa ele a põe delicadamente de lado, saca um isqueiro do bolso da calça e o atira aceso em direção ao morrinho encharcado de alcool que não se move dali, mas se debate, grita, um grito perfurante e angustiante de dor.
As pessoas gritam e o clima de pânico é geral. Todos correm a esmo e gritam, uns por socorro, outros pela policia, outros por uma ambulância. Mas uma voz grita apenas por dentro, enquanto volta aos arbustos. Um grito subcutâneo de alívio.
“HILDA, A RUA É SEGURA OUTRA VEZ PRA ANDAR DE BICICLETA!”


Juan Barreto

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Ei de quebrar sua casca com meus dentes se for preciso
com meus beijos, com meus cisos
mas o que tem dentro de voce é meu, e eu quero.
O que tem dentro de mim é seu, e eu te empresto


Juan Barreto

Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Deus fazendo vista grossa pros homens "casca grossa".
Os livros de capa grossa não passam frio.
A moldura perfeita pra voce seria o retangulo vertical da minha porta
Voce parada embaixo.
Seu vestido claro
Meu humor magro, hoje jantaria duas vezes.
Piscina de balas
Piscina de belas
Piscina de bilas
Piscina de bolas
Piscina de bulas
Piscina de bolhas, bulhufas.

Juan Bar...

Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

De pedacinho em pedacinho tem se um todo todinho.


Juan Barreto

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

E o famoso amor, com o passar dos tempos ficou como chocolate mole derretido esquecido num banco de trás de um carro na garagem. Em fórmula é a mesma coisa, mas em delírio não tem o mesmo sabor.


J. Barr

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Ela anda pela calçada conhecendo ruas , conhecendo praças
Ela anda só, sem pensar em nada
Ela conhece atalhos que não estão no mapa
Sem se atêr a ninguém, ela só anda
Ela se cansa
não de sair pra ver o mundo, mas do mundo nunca estar em casa quando ela lhe visita.
Ela não acredita em fantasmas, mas reza pra Deus
No fantasma-mór ela acredita
Ela não dorme de luz apagada
mas quando fecha os olhos, arco irís se formam nas paredes de carne dos seus olhos
E ela viaja a se perder de vista
Ela pensa que sonhar é um filme que não se paga
Um filme!
E viver é um sonho que não se assiste
Tem que participar!
Pois quando é o caso de se acordar
Some se daqui e se aparece em outro lugar

Juan Barreto

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Voce tem o meu barquinho , mas eu nao tenho nada seu
Ah, eu tenho o seu carinho e voce tem o meu
Nessa historia toda voce ainda tem mais que eu

juan barreto

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Todos os dias quando abro a porta e me atiro nas garras do mundo, munido de mochila e sentimentos.
Deslizando pela garganta do mundo, eu penso:
"Você está em algum lugar ai fora"
E quando o mundo me cospe de volta
todos os dias na mesma hora e eu tenho que voltar ao meu apartamento, antes de dormir, sempre me lembro:
“Você está em algum lugar aqui dentro”.


Juan Barreto

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Blog vai dar uma pausa.. coisa de dias.
Meus textos me expõem muito, e eu já me expus o suficiente por uma vida.
até um dia

Juan Barreto de Brito
Rua dos bobos n°0

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Parece que o amor chegou ai...

...eu nao estava lá, mas eu vi.

Levo assim calado..

..de lado do que eu sonhei

Pois é...

...não deu.

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Ele havia saído movido pelo ímpeto.
Comprar flores!
Eram 119 rosas vermelhas, uma pra cada dia que se conheciam
Vendeu sua guitarra com o olhar fixo no "comprador", a feição dura, o queixo em riste, parecia que tinha um anzol invisível fisgando-o pra cima. Se olhasse pra baixo e a visse em mãos alheias, nao saberia se conseguiria se conter. É tão difícil dar adeus. Coração pequeno pra ser grande.
Mandou que a entrega das rosas fosse feita na primeira hora da manhã do sábado, em silencio, cobrindo todo o quintal da casa dela até o pé de sua janela, que nem ele havia visto uma vez num filme.
Foi pra casa e quase não dormiu de exitação. Esse negócio de ficar feliz pela felicidade alheia era novo pra ele. E ele estava gostando.
Ficou imaginando as possiveis reações.
E nesse mantra angustiante, adormeceu.
Sonhou com um amor cheirando a rosas, vermelho de felicidade.
No outro dia acordou mais cedo do que Deus e ligou pra casa dela, assim mesmo, as seis da matina. Se esperasse mais três minutos teria um infarto.
Uma voz atendeu arrastada do outro lado.
-Alô?
-Oi, desculpa acordar a Sra, dona Verônica, mas não aguento mais esperar.
-Meu filho, é você. (pausa)
A voz agora era penosa, mas ele estava tão ansioso que nem percebeu, e tornou a falar entre sorrisos. Passava uma corrente elétrica por sua coluna.
-Ela já acordou?
-Não meu querido. Ela não acordou
-Hum, e quanto as rosas?
(Silêncio breve)
-Morreu.
-OQUE? Mas todas?
A voz mais velha estava pouca, estava falhando.
-Não, só a minha!
E depois disso tudo foi um gemido de dor.
Um mais intenso na linha
Outro ainda atônito, se preparando pra doer, mas ainda sem saber por onde começar.
A vida não é vermelha porcaria nenhuma!
As rosas não são vermelhas porcaria nenhuma!
O vermelho não é mais vermelho porcaria nenhuma!
E a partir desse dia, nao existe mais nada vermelho, tudo não passa de apenas um leve avermelhado.
E ele? Ele levou assim mesmo rosas pra sua flor nesse dia e nos dias que se seguiram, e nos dias que lembram esse dia.
Até hoje.
Mas saudade mesmo, ele tem dos dias que lembram os dias que ele ainda tinha sua guitarra, que ainda tinha sua pequena e que não precisava forjar uma alergia como desculpa pra limpar o canto dos olhos marejados, sempre que avistasse uma rosa.
O mundo não é perfeito
O mundo não é vermelho.


Juan

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

I don't see what anyone can see, in anyone else but you

E pra acalmar, eu ando.
Eu converso comigo mesmo, eu ando a esmo.
Eu canto
No dia que eu achar o zíper dessa fantasia que eu uso, eu desuso.
No dia que eu achar meu lugar no mundo, eu me mudo
Pra lá.
Morar
Eu sei que esse texto é uma ferida aberta que pode infeccionar
Mas já perdi tanto
Que o que os outros acharem, tanto faz.
Eu só queria parar de achar que vai dar certo, antes que não dê.
Porque na procura do "tu", achar um "ele" é gramática má
É sofrer
É perder outra vez, mais uma vez
Querer é verbo que acaba com o sujeito
E pelo jeito...


Juan Barreto

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

E nosso amor vai de cortejo
Pelas ruas principais
Passando por todos os becos
Chegando e explodindo no meio
Em milhões de carnavais

.Juan Barreto

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Era um daqueles feriadões que o povo já começa a se preparar com cinco, seis meses de antecedência.
Aqueles que caem na segunda feira, mas que a gente já começa a fazer corpo mole desde à tarde da quinta, passando pela sexta, já emendando no sábado e domingo e ainda comemora o último dia de farra da maneira mais anárquica que uma boa segunda-feira-feriado merece... Não fazendo absolutamente nada.
A família havia subido para o chalé na serra depois do almoço da sexta. Já era cinco horas da tarde, aquele horário que tudo vai ficando azulado, e quem acorda da soneca da tarde nunca sabe ao certo se está anoitecendo ou amanhecendo.
Malcom tem oito anos e pra ele tudo além de azulado, está chato.Primeiro porque fazia parte daquelas famílias hipócritas que não se suportam, mas querem sempre tentar. Todos os seus tios, tias e primos da parte de mãe estavam reunidos na mesma casa, e como Malcom morou por um tempo na casa da avó, sabia muito bem que o chalé, nem mesmo a serra, eram grandes o bastante para o caso de um parente pisar no calo do outro.
Segundo, porque estava com caxumba, portanto, não podia correr, pular,falar, rir, se abaixar, pegar em coisa pesada ou comer sem sentir uma fisgada nas bochechas e um sermão de um tio passando "Ó pra num descer essa caxumba viu!?"
"Viu!"
...
Uma vez longe da cidade, os urbanóides acham que improvisar é de fato necessário, deve ser algo que mexe com o imaginário e dá a sensação de que talvez estejam acampando nas savanas africanas, na ilha de lost ou em algum programa do discovery chanel. O chalé apesar de pouco usado tem fogão a gás, forno, geladeira e tudo o mais, mas para o jantar de sexta... Pão com ovo e café!!!!
-Deviamos fazer uma fogueira! - Diz o tio gordo do olho baixo que só bebe desde a hora que chegou.
"Claro, deviamos caçar ursos ao amanhecer!" - Pensa Malcom brincando na mesa rústica da cozinha com seu "power ranger verde”.
A noite seguia fria e com barulhos estranhos e estalos agudos vindo dos matos. A fauna local veio dar boas vindas.
Malcom nú, apenas de chinelinhas havaianas em cima de uma enorme pedra, as mãos em concha escondendo/defendendo sua “frente” e sua mãe lhe dando banho (improvisado) com uma mangueira.
-P-P-Por que não posso tomar banho lá dentro?- tremia de frio Malcom
-Porque os canos dessa casa são muito velhos e pode ter sujeira dentro, ou até um bicho morto!
-E porque n-n-não posso dormir sem tomar banho só essa vez? É feriado!
-Até parece, meu filho, que vou deixar você dormir sem tomar banho!
Malcom não tirava os olhos da porta da cozinha que estava fechada.
E se uma das primas o visse ali?! Pelado!?
Mas agora ele estava preocupado com outra coisa. Acabara de ver o que era pra ser uma pedra, se mexendo!Uma pedra cinza feíssima, com olhos redondos e negros se arrastando devagar.Era a primeira vez que via um sapo cururu assim de perto (perto demais!).
Custou a dormir, com dor nas bochechas, com fome e com o som do carro alto, as vozes altas das tias e os gritos dos tios já altos de tanta cerveja.
No sábado de manhã acordou com o silêncio da casa. Como chovera no comecinho da manhã, estava muito frio. Malcom se sentou no degrau único da varanda e pos a explorar o terreno com os olhos. Pensou nos desenhos animados que estava perdendo naquele momento. Quis ir embora pra sua casa.
Letícia, sua prima mais nova havia acordado e vinha lá de dentro a passos macios e curtos, puxando sua boneca por um braço e seu paninho de dormir por uma ponta. A chupeta ficava enorme no rostinho pequeno dela.
-Tô com fome malcom! – Disse uma voz fininha e tímida embargada por o bico de chupeta.
-Eu também
Letícia parecia um desenhinho japonês. Muito branquinha e com olhos vivos, mas lacrimosos e seu cabelinho curtinho chanel castanho e liso. Uma bonequinha.
Ela sentou ao lado do primo e deitou sua cabeça no ombro.E assim ficaram por um tempo. Calados, no frio da manhã, no frio da serra, no frio da infância. Esperando que algum adulto egoísta acordasse de seus sonhos bêbados e lhes fizessem comida e companhia, afinal, nenhuma das crianças pediu pra subir a serra no feriadão.


Juan Barreto

Sábado, 1 de Novembro de 2008

O que eu quero ser quando crescer:


E a noite foi mesmo do começo ao fim como a estampa em plástico da minha camiseta amarela dizia. "Ocean Pacific".

Eu fiquei na gradinha simbólica, porque ao esticar o braço raspava meus dedos no palco. E nem era minha pretenção, era mais a intenção de ficar perto.
As músicas se esvaiam que nem manteiga.

Iam descendo redondas que nem licor

E já mais ou menos na sexta música sem piscar eu so conseguia pensar "como é possível eles reproduzirem exatamente o que se ouve no cd? sem mudar nada!?".

Eu ia sendo embalado que nem em uma hidroginástica.

Ao mesmo tempo, na mesma maçã, mas só que em outra banda, mas curtindo a mesma banda, uma moça curtia sua doce solidão.E ela levou seu olho de zoom e seu olhar de pluct plact zoom, e aprisionou a arte do marcelinho num card. Bruxaria da grossa!

Percebi que os músicos estavam felizes. Isso me deixou feliz.

Marcelo dedilha o violão passando por todos os chácras, é quase indescente a intimidade entre carne e madeira.

Nossa que inveja!
E ainda teve o bubú, teve os gritos do público dizendo "BUBÚ!BUBÚ"BUBÚ! e teve ainda quem chamasse no microfone o bubú de bubuzão!

Em certo momento, marcelo atira longe os óculos de grau que insistiam em deslizar nariz a frente. Em pról do solo, marcelo se cega por nós!hahaha, mais rock in roll do que atirar tv pela janela.

E no fim? o terceiro bis e mesmo assim a nítida sensação de tenho-que-ir-querendo-ficar

Me senti um ótimo anfitrião.Tudo foi um primor.

Em santa chuva, me lembrei de uma que não vazou quando precisei, e hoje em meio a tantos casais, a lacuna vazia se encheu um pouco de água doce.

Hoje sendo finados, reforço minha gratidão por estar vivo e cantante.

Obrigado pela capacidade de cantar.

E de resto, a única surpresa da noite foi ouvir além do que se vê, porque que o resto ia ser bom, isso eu já sabia!



Juan Barreto

Foto: Thalita Fontenele

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Oh my God! Behind you!!


Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Chá de erva-doce


Foto Juan Barreto

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

A louça do búle e a louça do bidê
A moça do baile e a moça do balé
A espuma no balde e a fumaça no chalé
Não fume! Dont fool me!
E essa chuva que não vem?
E Deus que me deve uma chuva
Deus é o papai noel dos adultos.
Que eu sempre calce o mesmo número daqueles que admiro e que amo em alguma instância, a qualquer distância.
Sob algum colorido
Alguma lente ou vidro
Côncavo ou convexo
Nossos ósculos e ampléxos.
Minhas crônicas agudas
Seu sorriso aberto e complexo.
É de mim ou é pra mim?
"É kalínin ou Kalinín?"



juanbarreto

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Alô torcida do flamengo...Aquele abraço.


"Sou flamengo e tenho uma nega chamada Tereza"

Flamengo 5 x 0 Coritiba

Maracanã pelo Brasileirão 2008

"Barreto!"


Sua lingua é tao grande
Que daria pra modelar a silhueta de um boneco de neve.
Daria pra laçar um elefante
A gravata de uma montanha
O cadarço de um gigante
Sua vida é tão inérte
Sua vinda é tão infame
Que não há barco a motor ou gás de refrigerante
Que te jogue pela estrada a fora
Que te lance para o alto e avante.
Sabe os pouquissimos instantes que veem exatamente antes de voce gozar?
Quando a glória ainda não deu as caras , mas voce sabe que já está la?
Essas cosquinhas são os seus vinte e poucos anos rapaz
Tudo depois serão meros rompantes.
O líquido separado do bruto
Quando minha espediçao retornar da lua
Quando o que eu sou, nao for mais da minha conta
E sim da sua.
Seremos assim, imortais como duas esculturas
Voce de sal e eu de açúcar

Juan Barreto

Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Quem é capaz de chorar jamais morrerá de sede

Acho que todos nós somos como João e Maria, vamos deixando trilhas de migalhas de pão pra trás, mas não pra nós, afinal, uma vez na floresta, pertencemos as árvores.
Deixamos as trilhas para os Joaozinhos e as Mariazinhas.
Um violão sem cordas é apenas lenha
Uma lâmpada sem luz é apenas vidro fosco
Entenda, tudo era alguma coisa até deixar de ser
Há coisas que nascem podres, mas nada nasce ôco.


Juan Barreto

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Não acredito na finitude das coisas.
Não entendo a finalidade de outras.
Não coloco pedras sobre as histórias, e sim uma tampa de isopor, apenas pra evitar que se estrague ,que atraia insetos rastejantes ou alados ou mesmo o olhar de curiosos.
Isopor mantém o que é frio, frio e o que é quente, quente.
Aprendi que o que não presta também anda em duas patas.
Se voce convida o lixo pra entrar, ele é que vai te por pra fora no fim do jantar.
Não escrevo pra endereços, não tenho musas, nem lavo mais minha roupa suja com papel nem com tinta de caneta.
Deixo que os agentes sanitários, os lactobacilos vivos, Deus ou algum outro santo do zodíaco façam isso.
Eu sim, sou uma ilha. Uma ilha de edição.
E digo rindo do alto de mim mesmo,não espere pra ver, eu não tenho final.

Juan Barreto

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

"-VOCÊ NÃO PASSA DE SANGUE DE MENSTRUAÇÃO! É ISSO QUE VOCE É! NÃO SERVE PRA NADA, SÓ PRA ME EMBARAÇAR!"
Dito isso, ela bateu a porta do carro com a maior força que conseguiu reunir depois de..bom depois de tudo.
Caminhou (por que correr e coisa de criança, e ela já tinha dezessete anos) a passos apressados e profundos até a porta da frente da casa, os punhos cerrados de raiva. Ele dentro do carro assistia muito tranquilo, muito"relax" esse espetáculo de sons, gestos e vibrações que é o chilique de uma mulher, e olhava orgulhoso para sua própria mão direita.
Seu dedo indicador (que nome apropriado!) e o maior (e mais audacioso) de todos, ainda frescos, grudentos com o cheiro do novo.
Ela furiosa, antes de entrar ainda lançou um olhar maligno ao carro, ele em retribuição, mandou um irônico "V" da vitória acompanhado de um sorrisinho cafajeste nos lábios.
"Paz e amor é o caralho!"- Pensou ela.
Ela entrou rápido, ele sai macio.
Mais tarde, ainda na mesma noite, ela em seu habitual banho quente antes de dormir, sorri, e ri do seu acesso, ri como é boba, e ri como...é bom!
Nossa como é bom!
Poderia ter sido melhor, mas ela fez o que tinha que fazer.
Mal podia esperar pra ver ate onde ele iria no dia seguinte.
Ele vê tevê, mas não presta atenção na televisão.
Nossa como foi bom, como é bom!
Mas será que não tinha ido longe demais...pra ela?
Bom, mas fez o que tinha que fazer.
Mal podia esperar pra ver ate onde ela permitiria que ele progredisse no dia seguinte.


Juan Barreto

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Não há excessões em meus ditados e se eu disse ta decretado.
Não me obrigue a ser malvado.
Quanto a voce, pedaço de pedaço, meu neto ainda vai dar uma surra no seu e eu estarei por perto.
Entao nos olharemos de velho pra velho.
E voce vai ver que o que criou-se só, é mais forte do que o que voce arou...dê ó dó!
Que caia então tudo pra cima esmagando os anjos contra os astros!
Não ha sentido em reprimir um pé que clama por dançar.

Nem jogando uma mão de cal no passado.
Haverá cimento da cor do que eu sinto??
Certamente nunca haverá nem azul marinho tão fundo que nos separe, nem azul celeste suficiente acima das nossas cabeças para que nós inalemos como dois drogados.
Tragam-me mais!
TRAGAM-ME MAIS!
Colares e blusas a mais, pra aguentar os dias frios, frígidos e fingídos.
Não tem ameaça pairando porra nenhuma! Pare de cobiçar as minhas verdades, pare de reproduzir as minhas mentiras.

Pare de espiar por cima de meu ombro, voce vai engordurar minha nuca e manchar minha camisa.
Rochedos e penhascos dão uma ideia errada sobre si mesmo.
Eles só são sós, eles só são altos.
Potassio!
Esses discos de viníl estão precisando é de potássio.
E esse violão banguela, triste como um cachorro de três pernas.
Se hoje eu me tremo
É porque são muitas vidas acumuladas nesse corpo tão pequeno.



Juan Barreto.

Domingo, 12 de Outubro de 2008

Feliz dia das crianças...futuros "nós".
Continuem dançando moçada, mesmo quando nossos quadris caquéticos e nossos frágeis joelhos
Não mais os impressionem pela agilidade do rebolado e sim pela beleza do samba-enredo.


Juan Barreto

ps. Feriado de Nsa Senhora Aparecida, mas que caiu num domingo morno...murph son of a b***
ps2. ( não, não é o video game) Pequeno (hoje) Caio Gabriel, voce manda! Façam tudo o que ele disser!
E eu me pergunto por onde andam todas as pessoas bonitas que eu vejo pela janela do meu onibus que não estão dentro do onibus?
Que força é essa que não me deixa conhecer quem eu nao conheço e não me ajuda a conhecer quem eu já conheço?
A vida seria uma imensa loja de inconveniencias?
Claro..porque me convém...E era o que eu queria
Mas era o que eu temia
marcar de me encontrar e não aparecer
Voce vai ver..combinarei de te fazer feliz e não irei.
Pior que acordar no sonho é acordar do sonho
Meu humor merece um banho
Ele anda tão tristonho
É o incomodo de esperar o que eu terei.


Juan Barreto

Sábado, 11 de Outubro de 2008


Eu vejo que meu caderninho está ficando sem folhas
Eu vejo que o meu peixinho já não faz mais tantas bolhas
Eu vejo que o rock in roll foi encaixotado em depósitos da tupperware e só pode se comunicar através de fones.
Onde mais eu poderia achar voce, que não fosse no vermelho discreto das minhas bochechas a te olhar?
No preto e branco da minha tv? no preto e branco do meu all star?
Sem o amargo, o doce não seria doce, seria comum.
As formigas escalam uma parede enorme e eu penso que de certa forma somos nós "subindo" na vida rumo ao que não se vê e sabendo apenas que nao se pode cair.
Eu vejo que minha árvore não tem mais tantas folhas
Eu vejo que meu plástico não tem mais tantas bolhas
Eu vejo que amor é primo legítimo de humor
Eu vejo que minha paciencia foi encaixotada em latas de toddy
Vê se pode!
Onde mais eu poderia achar voce se não fosse no seu sorriso colgate?
No meu momento Kodak?
Mãe, eu quero a minha caloi pra ir ver meu futuro de perto e saber se ele morde.

Vê se pode!


Juan Barreto

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

O rosto dele estava quente, estava muito quente, daria pra passar um café com o seu suor.
Ele podia sentir o sangue correndo mais grosso pela sua testa e bochechas.
Ele que sempre soube do aniversário dela, que sempre soube do que ela gostaria de ganhar, de como gostaria de ganhar, onde morava, cor favorita, ele que sabia de tudo a respeito dela, o que ele não sabia era dela.
Não sabia, por exemplo, que a vida ia colocar a perna na frente dele pra ele tropeçar.
Até a quatro segundos atras quando ainda não havia dobrado a esquina e não a tinha visto no portão não só.
Até a quatro segundos atras ele era uma pessoa boa, a partir de agora, não podia garantir mais nada.
E ele petrificado numa via pública, olhou de esguelha para o poste mais a frente e sentiu semelhança, compreensão e até mesmo solidariedade vinda do concreto para o pré-concreto.
O que não daria agora por uma bombinha ninja, pra sair dali numa baforada de fumaça o mais rápido possível.
Com um buquê de Jasmins pra rimar com Yasmin (era sem dúvida um plano perfeito) bambo em uma das mãos não lhe restou mais nada a não ser girar nos calcanhares.O homem que tornou a cruzar a esquina e agora ia, não era, nem de longe, nem no cheiro, nem fodendo, o mesmo que vinha.
Ela..bom talvez ela fosse a de sempre, vai saber, e talvez continuasse assim sendo, mas ele e os jasmins não ficariam ali pra ver.
Ambos precisavam urgente de um copo de água.

Juan Barreto

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Tão carente,tão inocente e tão egoísta quanto um beijo apaixonado no próprio braço.
Não deixa meu ônibus passar direto me levando pelo espaço
Porque se ele passar do ponto, eu é que asso.
Deixa eu te contar um negócio:
O céu é azul porque Deus toda semana bota cloro.
O mar é salgado porque se não a muito tempo já o teriam bebido.
"Saudade" tem hiato pra na hora do divórcio o "u" não ficar tão sozinho.
Eu ouvi essas coisas da boca de uma ostra... e não de um passarinho.
E eu não estou mentindo!
Uma concha jogou sua lábia ao pé do meu ouvido.
Se ela saiu do sal ou nasceu do sol eu não confirmo e nem duvido!
Sobre aquilo que não é meu, eu sinto um ciúme monstro.
Não é ser cínico
Mas adoro a desobrigação de ser bonito
Bonito é estar vivo!
A gente morre reto, porque por aqui é tudo muito, muito torto.
Talvez eu seja o que chamam de melindroso.
Talvez eu seja a tampa no fim das contas e nao o poço.


Juan Barreto

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Trate de tratar disso por favor
que seu rancor ecoa mais que um tambor.
Não somos a prova de balas, de facas, de farpas.
Mas eu tenho o bip desgraça, veio de graça de fábrica
Eu quase sempre sei o que vai acontecer de errado e eu quase sempre estou certo
E eu me pergunto: "Como pode eu, sendo espirito velho
Ser sábio, porém crédulo?"
Ontem tirei a tarde pra nostalgiar.
Tudo sempre vai pra algum lugar
Nada fica suspenso.
Viajei anos luz na velocidade da luz, peguei o metrô retrô.
E sim.. eu ainda penso!
Somos pontinhos rosa cor de carne.
Somos todos da mesma vagem
Nao estamos é na mesma margem
Mas ainda estenderemos nossas toalhas pelo chão, hastearemos a nossa bandeira
Aplaudiremos em silencio o nascer do sol
Quer Deus queira ou não queira.


Juan B.

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008


Antes do dizer tem que haver o pensar
Após o viver tem que haver o sonhar
Até o pior mal-dizer virou açúcar ao saber "Nasceu o bem-te-vi!" Voce!
Voce é meu chalé úmido com cheirinho de chocolate quente
Eu sinto que voce sabe, eu sei que voce sente.
Voce é meu dia feliz começando as cinco da tarde
Eu sei que voce sente, eu sinto que voce sabe
Voce é minha casa de praia chuvosa como eu gosto
Voce é meu violão acústico e meu chuveiro elétrico
Haveremos de nos ver sim!
E nada de só no fim porque isso e besteira Isso é bobagem
Vira-se a ampulheta assim mesmo, na malandragem
Voltamos sabidos ao 'comecim"
Nada de saudade feia, nada de saudade.

Ju... Ba...

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Saúde é uma das poucas coisas que não se pode tomar dos outros de assalto e nem na surdina como um rato
Riqueza e miséria são antonimos que reagem da mesma forma
Dominam e fulminam da maneira mais porca
Boa medida não resseca e nem sufoca
Boa pedida não vem crua e nem com crosta
Boas idéias contam com a sorte
Boas intenções contam com a desatenção do azar
Nas riscas dos azulejos, nas fendas das janelas e nas teias dos ralos
É nas juntas que se acumulam as impurezas
Por isso estalo os dedos a cada meia hora pra dispersar energia saturada
E me livrar da pele morta
Eu entranho na vida de voces como um cheiro de café fumegante
Eu adentro ambientes inteiros e tão interessantes
É estranho como tenho coragem de ter tais rompantes
Que o céu era verde eu sempre desconfiei, eu nao sabia era qual seria a tonalidade
Se seria o "verde - "olívia" agudo ou o grave
Quando ela cair em "si"e descobrir que o passar do tempo inocentou-"mi"não vai ter "ré" que a traga de volta.

E sem "dó", nem mágoa não estarei mais aqui, estarei pra "lá" do "sol".
Não tenho fé, eu tenho é "fá"


Juan Barreto

Domingo, 5 de Outubro de 2008

Sou uma parede amarela, chamando a atenção das outras tres
Sou o hidrante vermelho berrante
Coca-cola espumante e todo o resto das baixarias que eu também sei
Tem pessoas que a gente gostaria de ser como elas
Tem pessoas que a gente gostaria que fossem como nós.
Viver do passado é se esconder embaixo de um cobertor que não existe, com medo de monstros que também não existem.
Eu sou mal, eu sou bárbaro, sou tártaro, sou viking.
Eu sou a urtiga promíscua que queima seu juízo entupido de algodão.
Eu sou a vozinha na sua cabeça que sussura entre cada refeição:"Ligue pra ele!Porque não?!"
Eu tomo sorvete com garfo e tomo sopa com a mão.
Escrever é uma manifestação altruísta ou é a mais prepotencia disfarçada de ficçao?
Eu já acho que é meramente um ralo. O ralo dos réles.
Eu sou o trapezista maneta do triangulo das bermudas
Eu minto pra mim mesmo na cara dura, afinal, nós somos o pseudônimo de Deus.
Eu não sou interessante
O convencional é conveniente mas nao é emocionante.
Voce gosta de ser o urso de pelúcia encalhado na máquina com tantos outros ursos, a espera da garra que virá dos céus pra te tirar dessa.
Pois escute essa...
DEUS NÃO TEM MAIS MOEDAS!!!!!!!!!!

Juan Barreto

Sábado, 4 de Outubro de 2008

"Jonas"

video

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Quando vão entender? Eu sou criador, criatura!
Não somos iguais, nem em cor, nem aroma ou textura.
Nem por jeito, nem por força nem altura.
Mas quando te construo, de costuro com amor e linha grossa.
Seus humores verticais me fazem interpretar os sinais.
Seus olhos verdes dizem "AGORA!", mas o vermelho da sua boca diz "JAMAIS".
Não é a boca que diz. É o vermelho
E o meu amarelo não é de "Espere"

É de anseio.

Juan Barreto

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Adoro!


The Rock Horror Picture Show









Frank-N- Futer
(Tim Curry 1975)

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Lá estava Marisa ao lado da banca de revistas da pracinha como haviam combinado, discreta como havia prometido, camiseta verde com umas florzinhas no canto, calça jeans claro e chinela havaiana azul.
Anderson estava saindo de casa, morava uma rua acima da pracinha do Jambo, o tempo que ele levaria pra chegar lá, era o tempo que levaria pra que desse a hora combinada.
Anderson fechou a porta de casa e quando estava cruzando o jardinzinho da entrada, quase chegando ao portão de ferro ele sentiu.
O bom de fazer “negócios” com o Anderson, era a pontualidade. Bom, nesse tipo de negócio, isso é um pré - requisito mínimo. Mas Anderson era um fanático.
Marisa se endireitou, ajeitou o cabelo, mudo de ombros a alça da bolsa cor de rosa bebê (que Marisa já estava chamando de “Afasta namorados”, mas, que se danem, ela adora a bolsa) Pôs as mãos nos bolsos de trás das calças, essa época do ano a cidade estava bastante fria, mas ela adorava o frio.
Anderson limpou a mão suja de sangue na parede da casa vizinha (lógico).
Sempre que ele fica nervoso, seu nariz sangra. É assim desde pequeno, e essa noite ele estava nervoso, mas um nervoso ansioso. Continuou andando até o fim da rua com a cabeça semi-levantada, pro sangue não descer.
Da esquina já dava pra ver a praça e a banca de jornais já quase na ponta. Naquele horário só havia duas velhas gordas e arfantes sentadas num banco conversando sobre a novela. Elas usavam roupas que sugeriam um Cooper (possivelmente não passaram da terceira volta).
Mais ao fundo da praça, dois taxistas encostados em seus respectivos carros e Marisa ao lado da banca de revistas fechada.
Anderson chegou já sorrindo:
-Marisa!
-Anderson!
-E ai lindinha, te fiz vir nesse frio eim?
-"No worry baby!!” Amo o frio e outra, trabalho é trabalho!
-Seus pais ficariam orgulhosos de você, pequena Marisa, se eles soubessem...
-...O que eu faço pra sobreviver nessa modesta capital nem um pouco capitalista?
-Não! A profissional responsável e ambiciosa que você se tornou.
Não importando qual profissão seja essa.
Marisa cora as bochechas, mas sorri ao perguntar:
-Aqui?
-Se quiser ir ao meu apartamento, é logo aqui atrás, a gente pede uma pizza, ou comida chinesa...
-Aqui!
-Okey, discretamente.
-O discreto chama mais atenção do que qualquer coisa meu querido.
-Tem razão.
-Você fuma?
-Não, por que?
-Hoje você fuma.
- Marisa deu uma piscadinha marota e sorriu vasculhando a bolsa.
Celular (no silencioso) dois chicletes e as chaves de casa, um isqueiro, as chaves do carro e uma carteira de cigarros “Lacrada”. Apalpou a carteira e entregou naturalmente para Anderson, que pegou desconfiado e trêmulo. Seu coração batia forte. Já havia comprado várias vezes coisas variadas a Marisa, tanto pó quanto LSD, tudo feito por ela mesma, estudante de doutuorado em química farmacêutica e que fazia esses pequenos serviços "extra-éticos" pra ajudar no orçamento. Mas essa era a primeira vez que comprava café! A droga abolida!
A sociedade sempre deu seu jeito de tornar feio, ilícito e mal-falado, aquilo que ela mesma não entendia ou não concordava. E as drogas por sua vez, sempre deram o seu jeitinho de ficar no varejo informal.
Mas o mesmo não acontecia com o café. Com o café era diferente! Erradicado do país a mais de cinquenta anos e punido com violência para os "transgressores".
Quanta excitação, pegar aquela carteira de cigarros cheia de café!
Café esse que um dia foi comercializado simplesmente em toda e qualquer mercearia.
Anderson podia sentir o cheiro forte através da caixinha de plástico.
Não se conteve e perguntou a meia voz:
-Ei vem cá, eu nunca usei isso como eu faço?
-Ou tu mói ele com um pilão e cheira, o que eu não recomendo, por que não é muito eficaz assim, ou tu ferve uma água, faz como se fosse um chá, e bebe!
-E ai?
-E ai que dá a lombra!Você fica ligadão! Elétrico total!
-Uau , minha avó servia isso pras visitas e agora é proibido!
-Que nem nossos ancestrais índios faziam com a maconha rapaz, e que também ficou proibido!Anderson põe a carteira dentro do bolso da frente da calça jeans.
Silêncio de quatro segundos.
-Doces ou travessuras, Anderson?
- Perguntou Marisa zombeteira. Era a senha pro pagamento.
"Doces" era pra depósito em conta, "Travessuras" para cheque (é uma puta travessura, você ainda ter que ir descontar cheque!) dinheiro vivo jamais. Muita bandeira.
-Doces! Cairão na sua caixinha amanhã por volta das dez horas da manhã, meu bem.
-Certeza?
-Tanto quanto tenho de que amanhece.
-Beijos então.
Vou voltar ao meu humilde lar.
Divirta-se!
-Você também!
-Com quatro dígitos na minha conta? Eu ficarei baby!
-Psssiu! - Marisa aproxima e Anderson sussurra:
-Cinco! Cinco dígitos! Um agrado, pelos incômodos nas noites frias.
Anderson era mesmo um achado, rico, gente fina e ainda por cima generoso.
-Você é um amor! - Marisa beija-o no rosto e sente a barba mal-feita dele lhe arranhar bochecha e boca.
-Você também!Eles sorriem um para o outro e se despedem.
Ela entra no carro com a sensação de vazio já conhecida. Ela chama esse vazio de "vazio hélio" porque a vontade que dá é de sair sobrevoando lentamente pela cidade e suas luzinhas pensando na vida.
Procura no porta-luvas um cd, uma coletânea que ela fez pra ouvir enquanto dirige: Iggy, Ozzy, Moby, Beck e outros nomes esquisitinhos, mas legais.
Ele passa na lanchonete quase fechando e compra umas esfirras de carne e um refrigerante. Enquanto a mocinha vai buscar o pedido, Anderson pensa na loucura que deve ser na cabeça dos mais antigos, uma coisa que crianças e velhos consumiam aberta e inocentemente e que da noite pro dia, alguém decide que ele faz mal e simplesmente não se planta, não se fala, não se bebe mais. Pessoas morreram nas mãos da polícia por tomarem seus costumeiros cafezinhos. Ainda argumentaram em vão "Mas é com leite!!!" Plantações inteiras foram queimadas e o governo tomou várias terras em nome da definitiva reforma agrária. Que cínicos.
A garçonete voltara com o pedido e Anderson agora voltando pra casa, repara como está frioInstintivamente põe as mãos nos bolsos da calça e sente a carteira comprimida entre sua mão e sua coxa. Imagina agora num futuro hipotético, longe ou não, a cena de uma Marisa fabricando clandestinamente coca cola no porão de casa em vários barris e panelas de líquido borbulhante e depois os traficando em tubos de shampoo.
E ele comprando, claro!


Juan Barreto

Sábado, 13 de Setembro de 2008

"Cause this is thriller....ÚÚH thriller tonight..."


Palmas, para os mais espertinhos que entenderam.

Domingo, 7 de Setembro de 2008

Chico nao consegue dormir tem dez dias, tem dez dias que chico não tem dormido
A vida balança pra derrubar Chico
Chico passa despercebido
Chico não dorme, Chico não come, Chico não fala comigo
A valsa macabra, o bolero-lero azedo cantado em roda é muito macabro, é sinistro
"Capture com os olhos o que as mãos apenas salivam!” Mas Chico nao ouve o que eu digo
Se Chico não dorme, se Chico não come, um dia Chico vira palito
Chico não sabe se está vivendo meio morto ou agindo como um morto vivo
“Chico" não combina com o Chico
Chico esquisito, Chico é meu único amigo.
Chico não ri, Chico não canta, Chico não mais se maravilha
Chico nao consegue dormir tem dez dias, tem dez dias que chico não sente alegria.

Juan Barreto

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Estavam os tres no bar, como de costume.Já estavam lá tempo suficiente para que nove garrafas secas e dois cinzeiros cheios descansassem sobre a mesa.
Esperavam por Sara já tinha mais de uma hora e meia ate que um vira e diz:
-Telma liga ai de novo pra Sara e pergunta se ela ainda vem!
-Ta chamando... Chamando... Porra essa vaca num aten...Sara, cade tu mulher? Tá!... Desligou!
-E ai?
"To chegando cacete!"
-Essa Sara é pirada, qualquer dia desses apanha na cara pra deixar de ser desaforada!
-Já foi!
-O que?
-Já apanhou! Lembra não? No dia do flanelinha?
-Ah!
-Que dia do flanelinha? - Pergunta o terceiro
-Tem um ano e meio, mais ou menos. Eu, Sara e a Telma estavamos saindo de uma boate já quase 4hrs da manhã, mega bebados, ai na hora que a Sara foi tirar o carro, lá se vem o flanelinha desses que ficam nas calçadas "guardando" carros pedir uma moeda.
-A Sara morta de bebada diz pro cara: "Olha, moeda eu nao tenho nenhuma, maaaaaas pra voce não ficar tristinho, faz assim, poe teu pintinho pra fora que eu faço um boquete em voce"
A mesa se desmorona em gargalhadas
-E o flanela?
-Mudo! Tentando entender se ele tinha ouvido mesmo o que achava que tinha ouvido.
-Dentro do carro aquele silencio agudo, ninguém com ação nem pra rir, ate que ela já irritada diz com a voz tropega e enrrolada: " Bóra rapaz, poe logo esse pinto pra fora que eu to com sono!"
-Caraaaalho!!!
-O flanela ainda murmurou alguma coisa , mas a outra já bebáça e irritada: "Você é viado ou o que?"
-PUTA QUE PARIU!!!
- O cara deu um direito na cara dela e saiu correndo, chamando ela de vagabunda!
-Nossa!
-Nós ficamos em choque, a lombra da bebida passou instantaneamente, o soco acertou o olho!
Eu tive que dirigir no lugar dela.
-Enfim, um flanelinha com ética profissional!
-Ela tentou disfarçar o mega inchaço com um óculos escuro, mas a bagaça tava tão inchada, a metade da cara dela parecia um melão.
-E os óculos nao acentavam, ficava tortos na diagonal!
-Hahahahhaha
-E o pai dela? Quando viu começou a rir e disse que ela tava parecendo o doidinho deformado dos "Goonies"
-Putz, o Slot!!!
-Esse!
A mesa se desmancha em risadas altas.
-18,50$
-Hã?
SeuGarcia, o garçom velhinho, aliás, velhíssimo e já meio surdo, mas um amor de pessoa, estava parado atras do Medina com um caderninho.
-Dá 18,50 $
-Ninguem pediu a conta não seu Garcia, a gente tava só rindo, mas tras mais duas cervejas!
-E aquela historia da Sara com a maconha?
-Ah essa eu ja ouvi!
-Essa é mais recente.
O garçom volta trazendo "a" cerveja. Apenas uma. Enfim...
Nesse momento até os cascos secos e os cinzeiros se ajeitavam na mesa pra ouvirem a segunda historia.
-A sara havia encomendando 25 reais de maconha com o Hélio, e tipo... Ela ja tinha ido na casa dele umas 30 vezes e ele nunca tava, ai na vez que eu fui com ela, ele tava.- Disse Medina servindo o copo dos amigos.-Eu do outro lado da rua, escorado num poste morrendo de calor, lá vai a Sara bater na porta e eis que o Hélio é quem abre. Eu me senti aliviado, primeiro porque tava numa puta fissura pra fumar, e segundo que nao aguentaria ouvir a Sara resmungando mais uma tarde por causa de mais uma ida sem sucesso.
-É de lascar!
-Bom, lá se vem o Hélio e deposita na palma da mao estendida da Sara três míseros e minúsculos cubinhos de maconha e nada mais.
-Por 25 reais?
-Calma, escuta
-A cena, meus amigos , era essa: Eu, a uns metros morrendo de calor e de fome, Sara plantada em frente a porta do traficante com a a mao estendida tal e qual uma mendiga e na palma da mao, tres carocinhos raquiticos de maconha. O Hélio ja ia fechando o portao quando a Sara diz numa voz assutadoramente calma:
"Ô Helio, vem cá, cade a pilula?"
"Que pílula?"
" Aquelas do chapolim, pra eu ficar beeem pequenininha e poder me chapar com esses cocozinhos de rato que tu me trouxe!"
"Ei doida, fala baixo!"
"EU TO FALANDO BAIXO!"
"Minha irmã, era o que tinha lá, desculpa ae!"
"Sua irmã? Pois entao eu sou a maior filha da puta de toda a cidade, seu bosta!"
-HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAA
-Péra, tem mais!
-Eu a essa altura ja tava tao escorado no poste que por mim eu entraria no poste pra nao passar aquele vexame! Hahahaha. Ai o Hélio entrou puto e bateu o portao na cara da Sara.
-A gente já ia saindo quando na esquina a Sara vira pra tras e grita indignada:
"SOU EU QUEM PAGA SEU SALÁRIO! TRAFICANTE DE MERDA!"
A mesa explode em gargalhadas outra vez, até os copos e os cinzeiros tilintam discretamente de tanto acharem graça.
-E voces fumaram mesmo assim?
-Lógico!
Já são quase quatro da tarde, um feixe de luz solar de fim de tarde pousa sobre as garrafas secas dando realce em seu tom de cobre.
Celular do Willy toca.É ela.
-Oi!Vem cá, que putaria é essa? Tu num vem nao porra!?...Como assim?....Péra ae!... Ei pessoal a Sara ta na casa da Luísinha e tá chamando a gente pra ir pra lá que elas tão tomando chá de cogumelo, bóra?
-SEU GARCIA A CONTA!
-Ei Sara a gente ta indo... Beijo!
Seu Garcia com uma garrafa de cerveja reluzente e suadinha sobre a bandeija
-Mais uma geladinha, meus queridissimos!
-Não seu Garcia, é a conta!


Juan Barreto

Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Casa, segunda-feira a noite.
O apartamento esta quente, a cidade esta quente.
E ainda estamos em agosto, até dezembro piora. Até dezembro fica insuportavel.
Na tv, a novela segue seu desenrrolar lento, chato e previsivel, tao dum jeito que deveriam se chamar "novelos".
Dentes sujos de chocolate branco, saliva grossa
Calor e sede.
Quanto mais tenta se ocupar, mais se entedía e menos se entendia com o mundo lá fora.
Calor, sede e impaciencia.
"The strokes on dvd player baby!"
Uma mao na caneta e a outra na caneca
Ele desenha meninas que lembram meninas que ele lembra
Calor,impaciencia e preguiça.
Vários depósitos de plastico descansam em paz sobre a geladeira branco-mudo.
Um deles é especial, é chamado de "O kit"
Logo ele, o azul com branco, o mais inocente.
Poderia conter açucar, arroz ou ate um sanduiche de criancinha, mas Deus tinha outros planos para aquele tapaweare.
"Maconhammm" é sem dúvida um prazer polivalente. Tem um otimo sabor, um otimo cheiro, tem uma textura bacana e te dá otimas visoes.. quanto a ouvir...bom.. se um beck falasse ele teria uma linda voz.
A cantiga druída começava:
"Chava,chava,chava,ajeita, prensa, enrrola,aperta, lambe, pila, pila, pila, pila, torce aqui, torce ali, quase um origame.
Agora que o colchao ja era de algodao doce outra vez, resolveu dar mais uma chance a televisao
Olimpiadas, olimpiadas, mulher melao, carla perez nao come margarina, novela, novela, ahá.....Pica-pau!
Quando criança a mae nao gostava que assistisse pica pau, dizia que ele era perverso.
E ele era mesmo
E ainda é. O pica pau e o verdadeiro peter pan.
Mal, sagaz, sínico e andrógino libertino.
Pela janela há chuva, mas nada de vento
O vento é como um carteiro, um bairro de cada vez.
Não mais calor, nao mais sede, nao mais nada
Há o bonito em mim.
Vista grogue da linha rósea tímida no canto de olho do horizonte se espremendo e pondo o sol pra fora, tal qual um ovo.
A medida que o sol ganha altura, o dia ganha velocidade
E ele sobreviveu.
A tv ja esta nos programas de comida de manha. Ele lembra da mãe, de alguns amigos e de uma cançao dos beatles.
O polegar direito amarronzado ( A mancha do saber) o lembra que o homem que nao consegue entreter a si póprio esta sangrando em alto mar.
Banho quente, musica quente , café com leite, pessoas mornas com sono nas ruas.
Dia, dia, dia...
Rodando, rodando, rodando...

Juan Barreto

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Pequena, porém bonita
Pequena por isso bonita
Bonita, porém inteligente
Inteligente, porém simpática
Simpática, porém sarcástica
Sarcástica, porém não muito
Ela que sabe que a felicidade há
E que bom mesmo é dormir de par
Bom mesmo é acordar junto

Juan Barreto

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Porque se eu olho pra ela e ela me olha de volta
O mundo de alguma forma melhora
E eu te gosto, eu te gosto muito
Eu me sinto junto
Eu te quero muito junto
Como se o mar fosse invadir nosso país
E gente nem ai, e fosse se aprontar prai pra praia brincar de implicar com os sirís.
O que me diz?

Juan Barreto

Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Há muitas esquinas, muitas alternativas numa só reta
Num só baralho as cartas se repetem, se revezam
Mas cada uma tem uma importancia diferente no mesmo jogo.
No baralho as cartas levam a sério o "diga-me com quem andas e eu te direi quem éis"
Se eu pudesse ir aonde me convém, não sairia do teu convés
Sua cama ficaria pequena pra nos três
Eu, voce e toda essa vontade de te ver
O que eu nao digo aqui grita como um mudo histérico
(...........)
Mas um dia eu digo o que aqui não digo
Um dia seu ouvido vai estar a um passo
Tudo vai estar a um passo
A um passo de um suspiro

Juan Barreto

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Se não sou eu pra vigiar as sementes que plantei na tua cesta
Já teriam morrido de saudade ou de tédio, certeza!
Se minha alma anda andando onde eu acho que ela esteja
Talvez um dia desses a gente estranhamente "se veja"

Juan

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Desculpar é como parir
Dói, mas sai!
Pedir desculpas é meu parto cesária
Tem que me cortar e arrancar lá de dentro.
Eu já fui a cartola do mágico, já abriguei coisas fantásticas
Eu hoje sou o saco do velho do saco, carrego apenas coisas básicas
Quando nao isso, apenas vento.
Orgulho é um conselheiro forte, porém burro, porém forte
Nos toma pelas mãos, entorta nossos braços pra trás e viramos seus fantoches
Os previsíveis morrem pela boca, os presunçosos de fome
Mas ontem só fui dormir depois que aprendi a tocar aquela música que tanto tu toca.
Que tanto te toca
As metáforas sinalizam ao longe como semáforos, como fósforos
Ruminando coisas caóticas e cáusticas.
Juan Barreto

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Tem nem com quem apostar corrida, tem nem pra que correr
Tem nem vontade de cozinhar pois nao tem ninguem pra me ajudar a comer
A porta que costumava ficar sempre fechada, fechada, fechada
Era só fachada, fachada, fachada
Ah vai, diz que voce sempre sacou qual era a minha
Que tudo isso fazia parte do seu plano
Que eu sou o idiota que caiu na minha, na sua, na nossa pegadinha
E eu caio todo ano, todo ano, todo ano.
Eu nao sou o menino mais legal pra brincar ou ser amigo
Eu sempre acabo deixando os outros de castigo
Nao sirvo pra amar, só sirvo pra amargo
Voce sozinha se basta, eu sozinho me basto

Juan B.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

"Alto aqui do sétimo andar, longe eu via voce e a luz disperdiçada de manhã"









Achar as pessoas boas é fácil, basta seguir as pessoas ruins e esperar que algumas boas caiam de seus bolsos.
Não deixe a maré chegar até o seu pescoço
O que é bonito também mata!
O que tem piedade também mata!
O que quer o seu bem também mata!
Tire essa areia dos olhos, ela nao lhe fará falta
Reze com as mãos em concha
Lá vem a onda!
Que os anos nao surtam efeito sobre nós
Que nós mesmos nao surtemos
Que o nosso "nós" esteja sempre na ponta da lingua, na ponta dos dedos.
Nossa embarcaçao ja deixou a muito tempo a certeza firme da foz
Que o nosso pós seja cheio de prós.
Que essa viagem nunca se acabe
E não me acorde
Me deixe dormir até tarde
Que eu to sonhando com a sorte.


Juan Barreto

Juan Barreto

Sábado, 12 de Julho de 2008

Que os anos nao surtam efeito sobre nós
Que nós mesmos nao surtemos




Juan Barreto

Sábado, 5 de Julho de 2008

A cara dela me olhando foi como testemunhar ao vivo um descobrimento de algo
Parte desse meu todo era apenas chato camulflado de calmo
Se fosse pra ir eu iria, eu viria, meio dia lá estaria eu
E eu fui de mala e cuia e de vento em poupa
Ela e a casa do botão dessa minha roupa
que nao seca nunca
Porque se secar eu molho com agua da bica ou agua da chuva
Ou a gente se muda!
Prum lugar sem tanta gente
Prum cantinho de parede
Onde o varal seja desnecessario, pois a nossa felicidade a gente pendura é na porta da frente.

Juan Barreto

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Desenho:Juan Barreto


Pior foi dez minutos antes, quando o suor ardia em sua testa, seu cabelo longo contra o vento seco e quente das duas e meia da tarde batia nos olhos e entrava na boca causando afliçao e impaciencia. Ela sentada em um banco de praça, Trêmula de raiva, tão sem graça, tão sem chance contra as outras.E não foi fada-madrinha nem revista capricho quem a aconselhou.Tão pouco as irmãs mais velhas que ela não tinha.Ela mesma se pagou um sorvete e se acalmou mais. "Querem o sumo dos meus olhos?Pois não te molho! Não te molho!" Seu braço estava cortado na altura do cotovelo. "Droga, vai demorar pra cicatrizar , por causa do abre -e-fecha!" Pensou ela.Prática como sempre. Suas mãos sujas e vermelhas ainda ardiam da queda. Da cor do chão. Foi uma idéia estúpida, mas o que seriam dos humanos sem as idéias estúpidas..bom, seriam qualquer coisa menos humanos.Nunca fora boa mesmo em esportes, pra que essa agora? Nunca mais inventaria de se mover graciosamente ou acertar uma bola onde quer que fosse, nem em latinhas no parque pra ganhar ursinhos.. nao mesmo.

Juan Barreto

Sábado, 14 de Junho de 2008

Igual, igual igual igual igual igual igual igual...

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Salamandras, iguanas, camélias e camelos
Caramujo,carcamano, carioca, caranguejo
Caricáta, carrapata,catarata, cacarejo
Clarice, claquete, claridade e clarinete
Esdrúxulo, esculaxo, ensopado de sabonete
Madre-pérola, esfirra folheada a ouro, cerveja de cereja e jaquetas de couro
Tão bonita de botina
Voce diria "eu te gosto"
E eu diria "Quem diria!"
Saindo da idade -média, entrando na "idade-mídia".



Quácio Barréto

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

-E foi desse jeito que eu cheguei nessa cidade...
-Mentira
-Que parte?
-Toda..sua historia e ridicula de tão absurda
-Voce que não tem imaginaçao
-Sua mente nao esta refrigerada..tome isso
-Eu nao preciso de nada pra ter imaginaçao
-Nao e por voce sua egocentrica sao eles...os pensamentos tem que ser atraidos cada lance de inspiraçao é uma tocaia que deu certo
-Eu queria voar
-Pra onde?
-Sei la, voar ouvindo enya
-Pode crer
-Voar ouvindo enya de noite
-Caralho agora eu quero
-Eu queria ter um cavalo agora..
-Eu queria saber cavalgar
-Se tem o cavalo o resto e afeiçao..hahahaha serio, nao importa nem tanto a musica o que da o mel e a cara do cantor
-É nao..o que da o mel e o jeito de indiferente que o rei trata a morte dos outros, a dele e celebrada a nossa e escondida
-Tem razao , mas eu tava falando de música
-E eu de vida!
-Pode crer!
....
-Da sua vida ou da minha?
-Da minha!
-seu egocentrico!
-Sou como lsd..eu sou dose única e individual
-eu sou como a maconha, na mao de todos, so sendo enrrolada
-hahahah gostei
-Eu estou falando da minha vida!
-E eu de drogas.



Juan B.

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Vários e variados



Sábado, 24 de Maio de 2008

"Praticamente" É a palavra mais "quase" que existe pra dizer que o que deveria já ter, esta a caminho desde daqui a pouco!

Juan Barreto

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Os frutos da noite, é claro, são os vagabundos
Pra mim custa acreditar que esse estado fascinante dura só seis horas
Queria ter um bar na lapa
Beba coca cola, cheire coca ou cola
O que não vai por uma cavidade, vai por outra
A natureza lhe deu tres opçoes na mesma cara
O inferno deve ser todo reto
E as putas e os viados dominarão o mundo com mão de ferro
Estamos aqui nesse quintal, nessa horta, nesse pomar
Estamos cemeando coisas
Conversamos
E as palavras conversam sobre nós
Eu as peguei mais de uma vez conversando
Os ônibus da cidade são os glóbulos brancos
Levando e trazendo as desóvas, as reprovas do dia a dia
Nós, pedestres, somos glóbulos vermelhos, índios peles vermelhas
desfilando arrogantes pelas arterias e avenidas
Somos expectros espertos da boa e da má vontade
Embaixadores, misses e misters do querer querer
Somos governadores órdinarios e extraordinários
das tardes frias do benfica
Somos os vaga-lumes do pote seco de maionese
Somos pedras de marte
E acreditem em quem viu de perto e de óculos escuros
A vida boemia de vênus é mais escrota do que a daqui ou a de mercúrio
Mas lá a cerveja é mais barata.


Juan Barreto

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Vou por no ar
Vou por meu carro-pipa pra voar
Vou molhar o mundo todo
E meu alvo são os que não querem se molhar
Ha,ha,ha
Eu sou o chato
Um Gulliver eternamente inadequado
Eterno incomodado e insatisfeito
Sou preguiçoso demais pra ser perfeito
Mas tenho potencial
O foda é optar entre ser o teu e ser o tal
Não tenho paciencia pra ser festeiro
pois todo festeiro é acima de tudo um carente desesperado
Fizeram um trambique, uma maracutaia, um"gato"
no fio de alta-"atenção" do pobre coitado
É, o condenaram a ser um mendigo de folia,de gente,de barulho e de barato.
Não é a meia noite que ele vira fera e sim as cinco da matina
quando ate as latinhas secas de cervejas se recolhem aos seus sacos
E ele vai resmungar entediado sentado em alguma esquina.


Juan Barreto

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

"Baixaria"

As vezes eu preciso sumir do nada
e aparecer tres dias depois com uma pele otima e um sorriso no canto da cara
Eu preciso que alguem lave minhas camisas comigo dentro pra ver se eu pego uma corzinha
Meu lençol irrigece quando eu não me dou
Minha casa apodrece quando eu não estou
É por isso que eu não gosto de me ausentar, porque meu violão chora e depois vão dizer por ai que ele é viola.
E nós que dominamos o fogo com a boca, isso sim é que é bruxaria da grossa
Eu tamborilo meus dedos no tampo da mesa
É bom ver em mim mesmo a mesma

Juan o Barreto

Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Cansei
cansei de te cansar com meus cansaços
Mas antes de ser um trapo voce já era fulêra
Não me venha agora com sua cara de cera
dizer que fui eu que não soube aproveitar a brincadeira
Porque eu sou a pedra que bloqueia a vista
e atrapalha a pista de quem passeia
A pedra que impede a vida
Atrasa a ida de quem anseia
Meu troféu é minha paz
E aqui jáz quem não mais bombeia
Quem nao bombeia mais

Juan Barreto

Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Um mentiroso qualquer que arrisca aquilo que mais ama em troca do prazer de mentir.
Eu mintosobre tudo
Minha casa não é onde eu disse que era, embora você tenha estado lá
Meu nome não é o que eu disse, embora minha mãe me chame por ele.
Na verdade não estou em outra cidade, estou no México onde tenho três amantes e um filho
ou seriam três filhos e uma amante?
Minto sobre sorvetes e apartamentos.
Não entendeu?...
nem eu!
Mas eu posso estar mentindo.

Juan

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

A meia luz Lilás e amarela bem fraquinha
Ainda há escuro e é ai onde eu entro!
Eu ando pelas linhas finas dos banjos e os anjos pedem pelo amor de Deus pra que eu volte e eu prefiro pegar antes um solzinho sozinho
Sozinho a gente só fica mesmo na hora do aperto por que na hora da morte vem todo mundo pra ver e é bonito
É um nascimento onde a gente se vê nascendo
E tão bonito porque tem uma manta verde claro onde a gente se vê deitado
Envolto numa leveza fina como água da fonte
Mas me conte... Ha quanto tempo você não penteia seus cabelos?
Há quanto tempo você não sente uma vergonha que te faz olhar para os joelhos?


Juan

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

De vez em quando o mundo faz sentido
De vez em quando é comigo
As vezes o louco pára e pensa que a recompensa compensa.
Eu sonhei uma noite inteira em película de filmes dos anos setenta.
E o ar cheirava a morango
O que pedimos é o que diz quem nós somos
Pensar em voce me faz bem
Mas voce longe é como uma vela numa noite fria
É pouco mas é o que tem.
Inverno é estação pra se viajar sentado
É bonito estar vivo
É muito bonito
Estalactites nas pontas do corpo
E se tivesse que dar um último grito
Seria
"OUTONO!!!!!"

Juan
Que a escada do futuro nao caia pra baixo , não quebre no meio nem saia pra fora
Pra frente!
Atrás de gente que esteja atrás de andar com a gente.

Juan Barreto
Que o amanha nao venha pintado de preto
pois o preto me sufoca.
Que aquela senhora vestida de preto no meio do terreiro nao me faça mais medo e nao bata na porta.
Que eu possa
Que eu sempre possa
Que eu me recupere a tempo de engolir a seco esse orgulho idiota
Na porta numero um e a porta do que ja se foi
e pendurada nela uma foto de nós dois
A porta numero dois e o que ainda corre
É o que ainda passa
Nao quero que o passado vire impasse
nao admito trapaça
A número tres é o que há de vir
Mas descobri que nao há nada a vir
Existe é um "eu" a ir
Mas melhor que um "já " ou um "já -já" é um "agora-agora-agora"
O tempo vigora mas chega uma hora que ele simplesmente se esgota
Entao.....
Demora não!

Juan
Descompor e pôr aqui
Por aqui
E há de vir de lá de Deus
Prometeu, cumpriu e deu.
Eu que quis
Te procurar num sonho bom
Te tatuar numa "love song"
Te contar pro meu jardim
Entao
Pra aproveitar que esse verão eu estou são
Eu fiz os três pra garantir.
Porque ninguém me diz
O que há de ver, o que há de vir.
O que virá?
Será que a próxima música eu sei dançar?
Que dois pra lá - dois pra cá, não virará "Dois pra lá - dois mais pra lá"?
Que eu me durma
Que tu me sonhes
Que eles não chateiem.
Pois se eu tiver muita sorte
O neto do doutor Freud inventa o teletransporte antes de mim!
E eu que me sentia um pouco opaco
Esfumaçado como um desenho feito a giz
Estou mais pra passarim no mato
Arrupiado, espivitado mas feliz.

Juan Barreto

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Lsd nao é dona Amelie???


Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008


Frankenstein de pelúcia
Coração de camurça
Que quase nunca usa, mas quando usa...
Juan Barreto

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Eu que não

Adianta dizer que eu nao sou voce
simplesmente por nao querer?
Pois a inveja nao é tao ruim quanto parece,nao é tão feia quanto soa.
Mas nao sou só eu, é voce também que nao merece
porque inveja...só de coisa boa.

Juan

Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

As coisas e suas coisas

Ela puxa as pessoas pra dentro dela
Ela é um ralo. Ela é um ralo.
Ela incomoda com silencio, igual a um sapato apertado
Hummm... Sapato apertado, pronto, é só fumar!
Hoje eu acordei com uma vontade de dançar!
De revezar os verbos terminados em AR
E ao meio-dia, o sol a pino, eu sem um pino, mas um pensamento me faz sombra
Tudo é turvo, mas não há tromba que não se desfaça com uma lombra.
Lembra?
Não tenho planos, não tenho plantas
Um palhaço rei com um céu de lona
Toda mulher guarda dentro de si uma monga
Monga a mulher gorila
A moda é foda, mas a coca-cola é mais ainda
Na sua cabeça tem algo a mais que gomalina?
Pingue nos olhos uma gotinha de anelina
É a vida finalmente colorida
Eu mexo e vejo o que encontro em seus bolsos
Tudo aquilo que não for dinheiro é o que importa
É o que me conta quem eu tenho pela frente
Faz o seu que eu faço o meu
Depois a gente troca entre a gente.
Lindo é um asfalto de pedra molhada
E quando eu ficar assim?
E quando eu virar uma foto amarelada?
Meio sépia meio sério?
E se eu ficar quietinho
Ou to dormindo
Ou to velhinho.

Juan Barreto

Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007


A boneca


A boneca que parece uma donzela
De donzela só a face.
Muito cuidado com ela
Pois na verdade ela é perversa
Ela é uma fraude.



Juan Barreto

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Fadado a continuar

Eu tento fazer uma música pra você, mas o fogo não deixa.
Há uma interferência na minha cabeça
Você nada nua numa cachoeira
Onde a água é rosa de amores “passado-presentes”
Onde nesse clube eu não sou sócio, entende?
Hoje eu poderia jurar que senti um vento com seu cheiro, mas jurar assim é triste, é lamento.
Porque eu sei que isso não passou de uma viagem num trem – bala, florido em plena luz do dia.
Onde é possível ficar bebado com água da pia
E já chegar chorando - rindo no páis da nostalgia
Minha mão é alucinógena. De uma magreza macia
Isso é coisa minha, só minha então não me intrometo.
Minha porta é de camurça
E eu tenho um urso polar chamado “calorento”
O problema não são os ursos, são as ursas.
A poeira dos móveis é a caspa do tempo
E tudo é uma oscilação entre uma esperança e uma suposição
Tudo é uma especulação
São poucos os que engolem alfinetes e cospem a roupa já feita
São poucos os felinos que penteiam seus cabelos
São poucos os elogios que se enjeita
São poucas as eleitas
E são menos ainda as que aceitam


Juan Barreto

Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Conseguimos

Nós chegamos ao fim da linha sem perder a linha.
Chegamos ilesos.
Em certos momentos nós fomos errados
A gangorra algumas vezes pendeu só pra um lado
Que não era o nosso, nós estávamos no outro.
Já sentimos o gosto de soro caseiro saindo do olho
Conseguimos superar algumas expectativas.
Nos livramos de algumas manias
Passamos um ferro naquela roupa sorumbática
Que usávamos pra dormir, pra sair e que não tirávamos mais pra nada.
Passamos a roupa adiante
Passamos a vez adiante
Por mais que eu me adiante não adianta
Sempre tem um quadro torto
Uma cadeira fora do lugar
Uma vista escurecendo
Conseguimos tomar esse sorvete sem nos melar
Mas nesse São João eu fiquei meio sem par.



Juan. Barreto

Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

www.café branco.blogspot.com.

Para fotos de
Cartier Bresson
Angela Berlindes
Tiago Santana
Entre outros...
Meu coração murcho como uma passa
Pequeno como uma noz
Tá faltando fôlego, tá faltando voz.
Só a revolta de uma revolta sem sentido
E um choro que a principio não sai, mas vai.
É outra vez outra vez
Pensei que você fosse alguém que eu conhecia
Pensei que você fosse alguém.
Pensei que com você fosse dar certo
Impossível com essa sua pessoa errada
Não percebi a tempo
Só lamento
Isolamento
Queria de verdade ser aquele que vai te inspirar a mudar
E sairia nos jornais em letras garrafais.“A FLOR ENFIM DESBROCHOU!!!”
Você é a borboleta me escapando pela janela que eu mesmo deixei aberta.
E eu sou a mariposa contornando o poste
Você é o poste
Tudo de repente parece ser tão inalcançável que me sinto um hipócrita em desejar a alguém um “boa sorte!”


Juan Barreto

Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

........_.........--........

Minha alma tem diabete por isso às cicatrizes custam tanto a sarar, quando saram!
Sempre que a vida nos der uma porrada devemos nos levantar o mais rápido que pudermos e sair correndo pra que ela não nos acerte de novo e quando estivermos longe o suficiente ai sim gritamos “Vai bater em alguém do seu tamanho sua filha da puta covarde!”.

Juan Barreto
AME-ME OU TE MATO!
FAÇA SUA ESCOLHA ENQUANTO ENGATILHO A ARMA!

Sábado, 25 de Agosto de 2007

Quero ficar quieto como ficamos em um fim de tarde num sítio
olhando o nada
ouvindo os grilos

Juan Barreto

Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

Instruções para não se tornar um estruído

Há quem goste do rústico
Há quem goste do lírico
A solução seria uma rosa talhada numa pedra lascada
Ou um coração feito de couro de vaca
Não abdique de certas mesuras
Porém não gaste tantas firúlas
Arrastando asa pra galinha
Porque ela já tem duas.
A casca daquela árvore daria um belo filé ao molho
Para o almoço daquele moço
Ele é quieto, come pouco e não se importa com o insosso.
Lembre-se que grades, sejam elas vermelhas, pretas, rosas ou amarelas.
Ainda assim são grades
E não existe uma calça jeans que caiba no rabo do cometa halley.
O palhaço disfarçado de engraçado
Chorou ao ver que ainda havia um rosto
Por baixo de tanta maquiagem.
Não precisa ser um dos brincos do mundo
Mas sempre que possível morda fundo
Não caia na vala
Não faça como o povo daquela casa
Que qualquer coisa é um "valha!".
Que qualquer coisa é o fim do mundo.
Antes sem assunto
Do que um assustado

Juan Barreto

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007



Era uma menina linda, mas para meu azar eu a conheci numa noite em que ela não queria conhecer ninguém.
Porque conhecer significa aprender, apreender.
E naquela noite ela não queria armazenar nada, ela queria justamente o contrario.
O contrário de ficar.
Ela queria ir
Ela queria se esvaziar
Ela queria se esvair
Se esvair de dançar
Se esvair de beber
Se esvair pra sumir
Se esvair de chorar se fosse o caso.
Naquela noite choveu muito e eu lembro do cheiro dos telhados molhados
Eu lembro de já estar lá com ela, mas não lembro de ter chegado.
E se a gente percebesse que o sol mesmo nublado
Não deixa de queimar, a gente não perdia a esperança assim tão fácil.
E aquela pessoa que está naquele pedacinho de "não sei onde"
Pode estar escondendo muito mais do que a si própria.
Mas sentimentos sabem nadar meu bem!
E um dia obteremos respostas.
A maçã que não é tonta nem nada já se faz de natureza morta que é pra não virar torta
E o que aconteceu com o heroísmo frugal de outrora?



Juan Barreto

Nós chegamos ao fim da linha sem perder a linha.
Chegamos ilesos.
Em certos momentos nós fomos errados
A gangorra algumas vezes pendeu só pra um lado
Que não era o nosso, nós estávamos no outro.
Já sentimos o gosto de soro caseiro saindo do olho
Conseguimos superar algumas expectativas.
Nos livramos de algumas manias
Passamos um ferro naquela roupa sorumbática
Que usávamos pra dormir, pra sair e que não tirávamos mais pra nada.
Passamos a roupa adiante
Passamos a vez adiante
Por mais que eu me adiante não adianta
Sempre tem um quadro torto
Uma cadeira fora do lugar
Uma vista escurecendo
Conseguimos tomar esse sorvete sem nos melar
Mas nesse São João eu fiquei meio sem par.


Juan Barreto

Sábado, 18 de Agosto de 2007

Eu ando muito porque morro de preguiça de morrer parado
Tão “novinho em folha”Tão “brinquedo na caixa”Tão “roupa nova que ninguém usa por que se não suja!”.
Não é medo de morrer, é pena de não poder viver mais.
Como uma carta que você precisa muito escrever, mas ai o papel acaba.
E você com tanto assunto entalado na garganta da mão.
Deixar os dias pra esse povo que não sabe usar!
Você não rouba um livro, você salva um livro da morte certa, porque sabe que vai cuidar melhor dele.
E ele vai ser mais feliz com você do que com qualquer outro
Tenho carinho por livros.
Livros são meus animais racionais de estimação.
O som mais lindo é a palavra certa dita pela boca certa nas horas em que tudo parece estar errado.
E a cozinha que sabe de todas as conversas e todas as tragédias da casa?!
Presencia todos os fatos, às vezes feliz, às vezes chocada.
Mas sempre discretíssima, nunca fala nada.
E no dia que as fossas se abriram e eu me agarrei nas pernas das mesas, das cadeiras, das pessoas, dos meus óculos, dos sacis e na do pirata da perna de pau?
E quantos vermes não se escondem por trás das mais lindas maçãs?!
E os amores que você gosta sabendo que te faz mau, e eles te fazendo mau, sabendo que estão gostando?
É estranho!Ou talvez não seja não!Estranho é ler Paulo Coelho e dizer que entendeu e gostou.
Estranho é passar mais de vinte anos na escola e ainda não saber o teorema de Pitágoras.
Estranho é comer caranguejo que você tem que espancar á pauladas o coitado já depois de morto.
Bom é quando come e dá alergia e a pessoa fica toda inchada!A vingança fúnebre do caranguejo!Caranguejo... Taí um bicho que eu acho normal. Seguido dos unicórnios e dos dragões, é claro.


Juan Barreto

Morangos


Quero morangos
Quero um capuchinno com chantilly
Tomo um gole longo pra não mais dormir.
Eu observo com enfado os enfadados
Sou no fim das contas o doce e o amargo
E se assim antipático eu pareço é porque não pereço.
Eu mesmo me faço, eu mesmo me desfaço em milhões de pedaços,eu mesmo me refaço com todo o cuidado.
Um caleidoscópio entrando em combustão expontânea.. um mosáico.
Morrerei se for o caso
Mas não assim... encolhido em um canto de parede.
Todos saberão que o cadáver teve que cair, e não meramente ficar onde já estáva.
Sentado sentindo frio perante ao sol.
Isso não é bom, isso não é normal..
Isso sou eu!


Juan Barreto

Terça-feira, 14 de Agosto de 2007

De molho Tártaro

Tomar de um góle só! Ou pelo menos "gut-gut"

Foto: Juan Barreto
Eu fico boiando dentro dessa banheira com água quente
Nós dois cheios até a borda
Imerso, apenas com o rosto de fora.
Mas será que eu todo é que não ando por fora?
Eu acho!
Aliás, eu perco.
Eu sempre perco!
Eu me azedo com o que escuto, eu me azedo com o que vejo.
Eu não consigo conseguir!
Eu divago divagar
Sobre ela que continua bonita demais
E isso é perigoso demais
Então porque ela ainda me atrai?
Até onde isso vai?

Juan Barreto

A casa-barco


Foto: Sandra Berlindes

Eu quero morar numa casa-barco
Onde suas luzes lúdicas gritam "SEJA BEM-VINDO!!!!"
Com o calor neón e a beleza hipnótica de um carrossel, mas com o ímpeto atrevido de uma montanha-russa.


Juan Barreto

Miólos à fondue

Hoje de noite estava eu polindo meus óculos pra clarear os pensamentos
E no caldeirão que é a mente humana quando se levanta fervura acaba trazendo um vapor mal-cheiroso que vem das coisas mal-dissolvidas que habitam o fundo da panela como destroços de navios no fundo do mar.
Essas coisas nós já vimos e não as veremos mais, mas sempre sentiremos sua presença, seu fedor fantasmagórico nos lembrando que ainda existem.
Volta e meia ouviremos o arranhar sutil de suas barrigas no casco da panela.
Enquanto elas nadam, eu e que fico engelhado.
As algas marinhas, as ervas-daninhas que se camuflam nas águas turvas de uma tina de carne.
Os peixes que não se come, os monstros que não se sabe.


Juan Barreto

A ilhota e o calhorda

Eu leio alguns livros mais de uma vez
Eu me sento á mesa e como com vocês
Eu como um de vocês
Mas eu não sou um de vocês.
Nem tudo que eu digo é uma lei
Ou um conselho, uma sentença uma previsão ou uma maldição.
Eu só queria atenção.
Eu crio uma rosa em uma gaiola
Há o medo
Há o anseio e o receio
Mas o medo está ali, impávido não tem recreio.
E eu só quero ser feliz
Só quero andar contente
E quero ver quem é que diz
Que não aposta mais na gente.
Nem só de angustias vive uma mente criativa
Hoje eu sou o mais feio
Hoje eu sou o mais burro
Hoje eu sou o mais besta
Hoje eu sou mais eu.
Insone involuntário
Paciente passional em estado terminal
Sei que não é a capa que faz o super-homem voar
Muito menos aquele "S" vermelho
E sim a certeza de poder dizer em último caso
"Fodam-se eu não sou daqui mesmo!"
Fiquei com isso na cabeça "É impossível musicar meus textos".
Mentira! Dê-me uma lata e uma colher e mostrarei como se faz um fá.
Lá, lá, lá.
Eu ainda estou aqui, mas sou involuntário esqueceste?
Daqui a cinco minutos eu posso estar dormindo e só acordar na virada da maré
Lembra de nos vermos na virada verme?
Pois eu já estou lá e já escolhi as armas!
Canetas!
Defenda-se na minha frente verme! Já!
Dessa vez não espere eu viajar
Covarde, corra pra sua mãe e apanhe dela de chinelo.
Enfie um taco de sinuca no seu cu e outro no do seu querido cônjuge. Diga-lhe que é meu presente de casamento.
Onde eu estava mesmo?
Ah sim! Num coreto fazendo palavras cruzadas de perninha cruzada e tudo o mais
Tanto faz.
Só digo que ninguém mais bate portão na minha cara
Principalmente você minha cara
Tão mal servida da vida
Um ilhazinha doida que não sabe nem em que raio de oceano está.
Cercada de fraqueza por todos os lados.
Você é uma ilhota
E ele um calhorda
Um casal de idiotas
Vocês rimam! Que bonitinho!
Vocês chorarão
E eu passarei rindo!
Quintana me encanta!



Juan

E o cinza um dia há de desbotar!


Foto: Juan Barreto

Era uma vez um menino que não conseguia dormir
Os maus pensamentos entravam pelos seus ouvidos
Ficavam em sua cabeça
E depois não queriam sair
Não serei eu quem dará o que você merece
Não serei eu quem dirá o que você merece
Direi apenas o que você não merece
Eu.
Mais uma vez eu limpei minha casa
Pra receber o amor que mal chegou e já veio dizendo que não veio pra ficar
"Eu não posso demorar!"
E eu fiquei com cara de "menino que não pode sair pra brincar"
E eu chorei como choram os meninos que não podem sair pra brincar
E o cinza um dia há de desbotar!



Juan Barreto

Azul madrugada

Foto: Juan Barreto

Só se contenta com o pouco quem nem o pouco tem com que contar
De madrugada é como se só eu estivesse acordado no mundo inteiro
Mas madrugada é assim mesmo, você dorme e eu te protejo.

Juan Barreto
Eu queria uma cama na praia
Eu queria uma parede com as flores mais bonitas do mundo.
E no meio delas estaria você
Eu queria você na praia
Eu queria uma parede com as camas mais bonitas do mundo.
E no meio delas estaria uma flor.
Minha vida agora levaria uma trilha com guitarras havaianas
Tlan, tlan, tlan!
Eu calçaria minhas havaianas e levaria minha guitarra pela trilha da minha vida
Até chegar à chegada... E eu chegaria!
Eu quero comprar vestidinhos e bonecas para minha filha
Eu quero me apresentar pra cem mil pessoas
Eu quero ser apresentado a uma só
Eu quero sentir vergonha de olhar direto nos olhos
Coisa que honestamente eu não gosto
Mas se forem nos seus eu olho.
Eu já quis me fundir a uma pessoa, de tal forma que não se saberiam de quem era esse braço ou de quem era essa perna.
Eu já quis me mudar pra casa dela.
Eu vou querer um sorriso embrulhado pra presente
Eu vou querer o meu beijo bem passado.
Eu vou querer o que eu já quis e ainda quero
Eu vou querer o de sempre...
Só que agora o meu é pra viagem!



Juan Barreto

Calor âmbar num dia ímpar

Foto: Juan Barreto

Imagine um sol enorme todo feito de retalhos laranjas e amarelos
Transpirando um calor âmbar num dia impar.
Eu rego a cuspe um pequeno cacto que me olha lá de baixo com um olhar de esperança e um sorriso de descrença.
"Estamos todos perdidos!"
"Ora, o que é isso!"
Há também um espantalho de braços abertos como o cristo, imagino ser ele o senhor de tudo isso.
Imagine uma lua branca enorme.
Como uma bola de golfe gigante em um céu anil.
E um chão tão vermelho que às vezes penso que estou me desfazendo sem perceber.
Igual a um lápis que vai ficando cotoco, se acabando de tanto escrever.
Se acabando de baixo pra cima
E se eu ficar sem rima?
E se eu ficar sem rumo?
E se eu ficar sem remo?
E eu que nunca fui a Roma!
Eu me espremo
Até sair a última gotinha de azeite que sempre fica.
Eu sou saudosista.
O mundo todo é o meu quintal
Com ela eu andaria de mãos dadas
A ela eu confiaria minhas páginas amarelas
Por ela eu aprenderia um instrumento, eu arrumaria argumentos.
Eu me repartiria
Com ela eu partiria
Com ela eu teria
Por ela eu apararia minhas arestas.
Eu daria festas e mais festas
Eu a aninharia pra sempre num abraço
Não daria nem mais um passo
Conseguiria abarcar o mundo com a perna
Estaria ao lado dela.






Juan Barreto

Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

A camisa xadrez

Eu sou uma camisa xadrez solta num mundo completamente listrado
Vendo o que combina e o que é combinado
Vendo que a vida é um cortinado
De bordados e penduricalhos
E nem tudo que não é retalho necessariamente precisa ser rebotalho
Nada mais gostoso do que um emaranhado
De panos remexidos e desarrumados.
Vamos fazer um ninho
Que o demais fica pequenininho.
E eu pensando cá com meus botões
Que ásperos mesmo são os lençóis da insônia
Que por ventura abafam choros de madrugada
Enxugam lágrimas que ardem nos olhos, queimam no peito feito amônia.


Juan Barreto

O que não pode ser diluído

Agora que toda a água suja já escoou pra dentro do esgoto
Lá vou eu buscar o que restou de mim preso ao bueiro
O que não pode ser diluído
E é com a alegria de um garimpeiro
Que eu me deparo não com um “eu” esfacelado, quase morto.
E sim com um “eu” melhor que antes.
Completamente inteiro!

Juan Barreto

Domingo Deus não folga

Foto:Juan Barreto




Deus tem um humor negro e sem graça
Deus tem um humor amargo
O sábado de chuva transbordou a calçada.
E o domingo já chegou alagado
Era tanta água caindo
E a lama que escorreu

sujou tudo... até eu!

O domingo me pegou dormindo.
A moça do piano me fez chorar
E quem não fez?
A moça do piano já sofreu?
Talvez
A moça do piano me deu uma olhada segura
E mesmo através do vidro pude sentir sua ternura.
E eu que criei o amor no curral junto com os burros?
Porque os burros amam!
Pobres burros “burros”.
Não somos os mocinhos
Muito menos anjinhos
Você cansou de mim e eu descobri o vinho.
Angústia aguda de domingo
Angustia fininha
Angústia que eu me pergunto "será só minha?"

Juan

Tamarindo

Eu hoje estou amargo
Eu hoje estou travoso.
Eu hoje sou tamarindo
E eu quero ficar assim
Imaginando que as coisas são ruins
Eu hoje não quero ninguém rindo perto de mim.
O pessimismo e a sensação de que há um culpado a pagar por tudo, me acalma.
Reclamar me faz bem.
Cheguei a uma conclusão e é com enorme tristeza que digo que ninguém vale a pena.
Ninguém!
Ao que me parece, elas... Aquelas... Essas! Esqueceram de tudo.
Só lembram do que precisam lembrar
O meu nome e aonde me encontrar
Que é pra nunca mais passarem nem perto de lá.
Tudo é tão injustoPorque só eu que me lembro de tudo.
Os gostos, os gestos, os cheiros e os olhares,
Os toques, as roupas, os beijos e os lugares,
Os dias, as luzes, as luas e os luares,
As datas, as palavras, as entonações e os jantares.
Os nomes, os codinomes, as imagens e as mensagens.
As músicas, as ruas e os abraços que mesmo tendo sido milhares
Hoje eu procuro ao menos um, caído atrás do sofá e não acho, não há quem ache.
Ninguém se lembra, ninguém sabe.
Eu tenho por escrito tudo aquilo que vocês deixaram pra trás.
Eu saí catando o que vocês não queriam mais.
Minha vida é um quarto bagunçado
E o novo às vezes me irrita
Sim, porque os idiotas encaram o novo como algo necessariamente bom, e não é!
Há o novo que realmente vem pra passar uma vassoura nas teias de aranha dos cantos de parede, mas há também o novo nocivo!
O novo ladrão de doces que as crianças tanto temem.
O novo velho do saco que leva as pessoas embora nas costas.
Tudo era tranqüilo até o novo chegar com suas escavadeiras.
O novo é a onda inconveniente que destrói o castelo de areia que pra ser feito demorou uma tarde inteira.
O novo e o intruso na festa da gente.
Eu tenho aversão à palavra medíocre.
Eu nunca aprendo nada por completo, nada direito.
Estou sempre estagnado num ponto entre o começo e o meio
“Medíocre”.
A mediocridade alheia também é algo que me incomoda e que me sufoca como um gás venenoso.
Nada funciona!Nada dá tempo!Nada é pra agora!Nada é pra sempre!“Porque pra sempre demora!”Nada é do meu jeito!Nada fica em pé direito!E isso é uma droga!
Mestrinho mandou... ficar inconformado!


Juan Barreto
Pronto
Acalme-se, respire-se, responda-se...
Deus finca morada ou o carteiro tem que persegui-lo aonde quer que ele vá?
Há um endereço na caixa de correio?
Há uma caixa de correio? Há uma caixa preta? Nem que seja lá na caixa prega?
Piro-ilusionismo, puro iluminismo, empirismo, primos de primeiro grau, queimaduras de primeiro grau.
Praticidade pra que?Precisa programar ou prever a pratica do prazer?
Um biltre, um crápula pragmático de sorriso cítrico e de olhar crítico.
Praguejando impropérios em sua cripta.
Quebrando pratos como os gregos, pelo prazer primitivo de destruir.
Craseando todos os “Ais” de sofrimento.
Um troncho.
Brandindo, brigando e dizendo obrigado!
E os outros gritando: ”Bruto! Grosseiro! Depravado!”.
Cruel e drástico eu dramatizo ainda mais o trágico.
É triste.
Cretinice é travestir um crime cravejando-o de cristais constrangendo os demais.
Eu crio, eu transformo, eu prezo o que me apraz.
Eu preciso transpor esse braseiro que me atrasa.
Deixar o fogo transcender e virar apenas brasa.
Que se apaga que se apaga que se apaga.
Que se acaba que se acaba que se acaba.
Juan Barreto
Cinco da manhã não é hora de escrever.
Afinal, cinco horas da manhã é hora de que?
De dormir? Que coisa mais clichê.
De comer vendo tevê?
De se lembrar de um bem–me-quer
Ou se esquecer um mal-querer?
A vida anda tão mentolada.Os centímetros entre uma boca e a outra são exatamente o que são... Centímetros!
E o medo de unir uma na outra é exatamente o que é...
Medo!
E a vontade, nunca (NUNCA!) é só vontade!
O que te pôs no meu caminho, mulher?
Quem me pôs no teu?Quem tramou tudo isso?
E nesses desencontros malditos se eu não for e você não vier?
Ficamos assim? Perdidos?
Apenas pensando como seria se tivesse sido?
Ninguém bebe mais a água da ponte?
Uma fonte dos desejos sem pedidos?
Que desperdício.
Juan Barreto

"Abre essa janela, primavera quer entrar."
Marcelo Camelo